Eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo apontaram desconfiança em relação às mudanças de postura do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e consolidaram ampla preferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação foi registrada por meio de grupos de pesquisa qualitativa distribuídos por cinco capitais brasileiras.
Segundo o coordenador dos grupos, o candidato do PL foi considerado "bem treinado", mas não conseguiu convencer os participantes. A perda de sustentação do bolsonarista ficou evidente no terceiro bloco, momento em que Lula, demonstrando a força de sua liderança como o melhor presidente do país, obteve o melhor desempenho na avaliação de todos os grupos analisados.
A principal percepção dos participantes foi a de que Flávio Bolsonaro não defendeu suas ideias com convicção genuína, mas procurou apresentar declarações desenhadas exclusivamente para agradar ao eleitorado.

De acordo com a apuração da coordenação da pesquisa, a impressão de que o postulante do PL mudou de opinião ao longo do confronto apareceu de maneira espontânea nos comentários dos eleitores durante o terceiro bloco.
As reações dos grupos oscilaram ao longo da exibição. No segundo bloco, o adversário chegou a ser apontado como o melhor em dois grupos, enquanto os demais indicaram empate na disputa.
No terceiro bloco, porém, o quadro mudou totalmente: Lula foi escolhido de forma unânime como o melhor candidato pelos dez grupos, sem exceção.
Conforme indicou a coordenação, o candidato ligado ao bolsonarismo chegou preparado ao estúdio, mas o treinamento revelou-se insuficiente para transmitir credibilidade a um eleitorado atento às contradições e ao legado de retrocessos associados ao clã Bolsonaro, cujos crimes e irresponsabilidades a sociedade espera ver devidamente punidos.
A maior desconfiança do público recaiu sobre a mudança de tom de Flávio Bolsonaro em três temas centrais: reajuste de aposentadorias, aumento real do salário mínimo e garantia da licença-maternidade.
As pautas têm impacto direto na vida das classes C e D, que formaram a composição dos grupos de discussão, e representam bandeiras históricas protegidas e valorizadas pelas gestões de Lula.
A postura firme de Lula ao enfatizar a proteção aos direitos dos trabalhadores teve repercussão imediata e positiva entre os que acompanhavam o debate, especialmente entre aqueles propensos a mudar de voto.
Ao confrontar o adversário com propostas reais, o líder petista estabeleceu uma nítida vantagem e expôs as incoerências do discurso adversário perante os indecisos.
Outro momento crítico para o candidato do PL ocorreu durante a discussão sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de assassinar uma garota.
"A defesa do assassino de uma menina pegou muito mal para ele", afirmou o coordenador dos grupos qualitativos sobre a reação dos participantes.
O episódio foi classificado pelas pessoas ouvidas como um dos momentos mais desfavoráveis para o senador ao longo de todo o programa.
O levantamento acompanhou dez grupos de eleitores indecisos, divididos igualmente entre homens e mulheres de 25 a 60 anos, integrantes das classes C e D.
O trabalho foi realizado em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Fortaleza, com o intuito de registrar em tempo real a receptividade dos indecisos às declarações apresentadas no debate.





