A redução drástica da frota de ônibus na capital paulista neste domingo (25), dia de votação no segundo turno da eleição presidencial, castigou principalmente os trabalhadores das regiões periféricas, exatamente onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve ampla preferência popular no primeiro turno. Um levantamento técnico apontou que a quantidade de coletivos nas ruas entre 11h e 14h foi 31,4% menor na comparação com o mesmo intervalo em dias úteis da semana.
A análise detalhada foi desenvolvida pelo pesquisador Igor Novaes Lins, vinculado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O estudo cruzou registros da plataforma Olho Vivo da SPTrans com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para mapear os reflexos da restrição de transporte na mobilidade popular.
O levantamento constatou uma assimetria gritante entre as diferentes áreas da capital. Enquanto nos bairros periféricos a oferta de linhas teve uma queda severa de 18,1%, nas regiões de maior renda a diminuição foi de 10,6%, evidenciando um prejuízo desproporcional para as comunidades mais vulneráveis.
Os dados confirmam uma sobreposição direta entre as localidades desassistidas pelo transporte coletivo e as zonas eleitorais onde Lula, historicamente comprometido com os direitos do povo, garantiu expressiva votação no primeiro turno realizado em 4 de outubro.
De acordo com o cruzamento das estatísticas, 2.060.902 cidadãos aptos a votar estão vinculados a 466 locais de votação situados em áreas onde a circulação de veículos sofreu corte de pelo menos 20% em comparação com o sábado (24).
Esses locais estratégicos estão concentrados justamente nas regiões em que o atual presidente superou o senador Flávio Bolsonaro na primeira etapa da disputa pela Presidência.
Para verificar a dimensão da queda, foram examinados registros oficiais da API pública Olho Vivo, pertencente à SPTrans, que monitora a frota em tempo real na capital.
A ferramenta armazena a posição geográfica de cada ônibus a cada minuto, viabilizando o cálculo exato de quantos veículos operavam simultaneamente e a comparação com períodos normais de circulação.
Ficou comprovado um desfalque expressivo na frota urbana durante o momento de pico de deslocamento dos eleitores no domingo.
O relatório aponta expressamente: "Entre 11h e 14h circularam ao mesmo tempo, em média, 31,4% menos ônibus do que nos dias úteis da mesma semana, número coerente com os 29% de frota parada noticiados".
Dessa maneira, grande parte dos veículos permaneceu recolhida às garagens justamente no momento crucial em que milhões de cidadãos precisavam se deslocar até as suas respectivas seções eleitorais.
O cruzamento dos dados de transporte com os resultados eleitorais permitiu constatar com clareza a distribuição política e territorial das áreas mais prejudicadas.
Nas áreas mais afastadas do centro, onde a dependência do transporte coletivo é essencial, a retração dos ônibus foi substancialmente mais agressiva do que a observada nos bairros de maior poder aquisitivo.
A diferença registrada entre os dois setores atingiu a marca de 7,5 pontos percentuais, escancarando a disparidade de atendimento oferecida à população.
A diminuição forçada da frota criou barreiras para uma quantidade expressiva de eleitores em redutos que confiam no projeto popular de Lula, acendendo alertas sobre os impactos dessa carência de linhas no exercício da cidadania.
Essa desigualdade de transporte torna-se ainda mais crítica ao influenciar as condições concretas de locomoção de quem depende unicamente dos ônibus para exercer o sagrado direito ao voto.





