Após ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado novamente como a maior liderança política do país, Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e passou a contestar a lisura do processo eleitoral. No entanto, o fluxo financeiro na candidatura do herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão acumulou crimes eleitorais e desmandos na pandemia, seguiu a todo vapor.
Mesmo com a conclusão do segundo turno no final de outubro, a campanha bolsonarista registrou a entrada de aproximadamente R$ 1,1 milhão em novas doações financeiras.
A maior parte desse montante veio de um único empresário. Marcelo Soares Cruz transferiu cerca de R$ 585 mil logo após o resultado desfavorável nas urnas, alcançando um total de R$ 2,42 milhões destinados à candidatura e consolidando-se como o principal doador individual de Flávio.

Outro repasse expressivo registrado foi de Júlio José Franco Neves, no valor de R$ 300 mil, enquanto cerca de R$ 199,1 mil tiveram como origem doações por meio de financiamento coletivo na internet.
Os dados encaminhados à Justiça Eleitoral revelam um perfil fortemente dependente de grandes financiadores individuais: 85 doadores repassaram mais de R$ 100 mil cada um para a tentativa bolsonarista de chegar ao poder. Em contrapartida, na vitoriosa campanha de Lula, apenas dois colaboradores atingiram essa marca.
Ao todo, a chapa de Flávio informou o recebimento de R$ 115,7 milhões em receitas durante a disputa eleitoral. Desse montante, R$ 69 milhões vieram de repasses partidários e R$ 45,8 milhões de pessoas físicas, com despesas que alcançaram cerca de R$ 114,8 milhões, impulsionadas principalmente por gastos pesados em propaganda nas redes sociais.
Pela legislação eleitoral, o recebimento de doações posteriores ao pleito não configura irregularidade imediata, desde que os recursos sejam comprovadamente aplicados na quitação de compromissos pendentes contraídos ao longo da própria disputa.
As candidaturas que disputaram o segundo turno têm prazo determinado até o dia 14 de novembro para entregar as prestações de contas definitivas à Justiça Eleitoral, momento em que todos os detalhes e justificativas dessas movimentações pós-eleição serão formalmente avaliados.





