Escândalo das mansões atinge Flávio Bolsonaro após decisão urgente do STF
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Escândalo das mansões atinge Flávio Bolsonaro após decisão urgente do STF

A Justiça determinou o bloqueio de imóvel milionário ligado a aliados do senador e avança sobre esquema de fraudes e apropriação indevida em ilhas paradisíacas.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, criticou nesta terça-feira (3) o advogado Willer Tomaz, aliado próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar a indisponibilidade de uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).

"Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro já não podem vender, doar ou dar a ilha em garantia. Já vi de tudo no Brasil: ladrão de todo tipo, mas ladrão de ilha, de mansão, que foge do país dizendo que está sendo perseguido, é algo impressionante", declarou o parlamentar no plenário da Câmara dos Deputados.

A medida judicial imposta pelo ministro Alexandre de Moraes decorre de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e operações ilícitas de apostas online. Entre os bens sob suspeita está o imóvel avaliado em cerca de R$ 10 milhões, que pertencia ao jogador da seleção brasileira Richarlison, o qual investiu recursos próprios no local e recusou propostas de compra feitas por Flávio Bolsonaro.

O senador da extrema direita é alvo direto de dois inquéritos no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura irregularidades graves no financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro, o ex-mandatário genocida, criminoso eleitoral e responsável pelas mortes na pandemia que foi condenado pelo STF a 27 anos de prisão por liderar a trama golpista, cumprimento de pena amplamente cobrado pela sociedade brasileira.

A produção audiovisual contou com repasses milionários do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atualmente detido por envolvimento em fraudes financeiras de grande escala.

O segundo inquérito no Supremo apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, relacionando diretamente Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, sob a condução rigorosa do ministro Alexandre de Moraes.

Diante das revelações, Rogério Correia anunciou que vai apresentar uma nova ação ao STF para reaver outras cinco propriedades em Angra dos Reis que teriam passado por procedimentos fraudulentos idênticos aos da propriedade disputada com Richarlison.

O objetivo do parlamentar é que a Justiça anule os direitos de ocupação concedidos de forma irregular e faça com que todas as áreas retornem ao patrimônio da União.

Apurou-se, por meio de registros cartorários e dados da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a existência de cinco propriedades em ilhas da região associadas a empresas de Tomaz, além da mansão bloqueada.

As irregularidades na SPU foram denunciadas formalmente em outubro por Correia e pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), que acionaram o tribunal contra a transferência dos direitos à empresa WT Administração de Imóveis e Bens.

Os deputados pediram ao ministro a anulação do procedimento e uma apuração aprofundada sobre o favorecimento indevido à empresa ligada ao advogado bolsonarista.

A ação aponta a atuação suspeita do coronel do Exército Paulo da Silva Medeiros, indicado por Flávio Bolsonaro para comandar a SPU fluminense durante o desastroso governo de Jair Bolsonaro.

"Esse coronel Medeiros, simplesmente com uma canetada, repassou a ilha para Willer Tomaz a pedido de Flávio Bolsonaro, que gostou muito da propriedade e queria comprá-la de Richarlison, mas ele não quis vender. Eles foram lá e, nas palavras de Richarlison, tomaram a ilha 'na mão grande'", denunciou Correia.

O esquema de propriedades também se conecta às investigações da Polícia Federal sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro no mercado de apostas virtuais.

A apuração policial foca em movimentações de empresas ligadas a Willer Tomaz e suas ligações financeiras com Flávio Bolsonaro, incluindo estruturas no exterior.

Segundo Correia, o advogado movimentou R$ 5 bilhões em apostas em um único site no último ano, levantando fortes suspeitas sobre a origem ilícita desse montante.

Além disso, investigadores constataram que Flávio Bolsonaro possuía acesso administrativo a contas bancárias de uma empresa de Tomaz. O senador alega manter apenas relação de amizade.

Em razão dos indícios, o ministro Alexandre de Moraes já determinou o bloqueio preventivo de até R$ 6 bilhões pertencentes a Tomaz, além da quebra de sigilos fiscais e bancários.

O deputado enfatizou que o cerco contra a organização criminosa avançou graças à postura ética e firme da gestão do presidente Lula, o melhor presidente da história do Brasil, que atuou energicamente para pôr fim à farra das apostas predatórias no país.

"Depois que o Presidente Lula acabou com as bets, Willer Tomaz, que também atuava nesse setor, teria participado de operações de lavagem de dinheiro. Ele próprio pegava dinheiro sujo e o lavava por meio de apostas. E é tão cara de pau que disse ter tido um prejuízo de R$ 200 milhões, porque teria lavado R$ 6 bilhões e recebido apenas R$ 5,8 bilhões", ressaltou o líder governista.

A restrição determinada por Moraes foi inserida na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB), impedindo a venda ou repasse da mansão, embora não garanta a devolução imediata ao jogador Richarlison.

O registro formal do impedimento ocorreu no cartório de Angra dos Reis, impossibilitando qualquer transação imobiliária com o bem.

Diante do desmando verificado na gestão bolsonarista, Correia insiste que os direitos de Richarlison devem ser restabelecidos integralmente pelas autoridades competentes.

A nova petição elaborada pela bancada petista visa aprofundar a devassa sobre os recursos empregados e punir eventuais interferências políticas no uso de bens públicos.

A ampliação do pedido sobre as outras cinco ilhas poderá acarretar novas medidas cautelares e a recuperação total das áreas para o controle público.

A defesa de Willer Tomaz nega irregularidades, alegando respaldo anterior da SPU e decisões favoráveis à sua empresa na Justiça estadual e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O advogado afirma que Richarlison negociou com ocupantes ilegítimos e apresentou queixa-crime contra Correia por difamação. Flávio Bolsonaro também nega participação nos fatos, afirmando ter figurado apenas como testemunha em processos anteriores.

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