Na primeira entrevista após ter fugido do Brasil, o senador Flávio Bolsonaro deu poucos detalhes sobre as circunstâncias em que chegou aos Estados Unidos. Ao jornal The New York Times, o parlamentar afirmou que organizou a própria viagem sozinho e negou ter recebido auxílio governamental, em meio ao cerco das autoridades brasileiras aos crimes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Foi tudo obra minha", disse Flávio ao jornal. "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo."
Questionado sobre como conseguiu estruturar a viagem e chegar aos Estados Unidos, o senador esquivou-se e afirmou que não pretende esclarecer os fatos às autoridades. "Como cheguei até aqui", acrescentou, "levarei isso para o túmulo comigo."
O parlamentar também declarou que a decisão de deixar o Brasil ocorreu de forma espontânea, insistindo que ninguém participou diretamente da organização da fuga. "Pode ter havido torcida, mas nada além disso", declarou.
As falas do senador, no entanto, contradizem o que já foi apurado. O assessor de comunicação da Casa Branca e aliado do presidente Donald Trump, Jason Miller, confirmou que providenciou o jatinho particular utilizado por Flávio e seus familiares para deixarem o território brasileiro.
Flávio e a família conseguiram entrar no território norte-americano por meio do chamado parole, recurso que permite permanência temporária em situações específicas, como razões humanitárias urgentes. Donald Trump também confirmou publicamente a autorização de entrada concedida ao senador.
A fuga do senador, da esposa Fernanda Bolsonaro e de suas duas filhas teve início na fronteira terrestre entre Brasil e Argentina, pela Ponte Internacional Tancredo Neves. Na Argentina, embarcaram em um voo particular da companhia Baires Fly, fizeram escala em Guayaquil, no Equador, e pousaram no aeroporto executivo de Miami.
A saída estratégica ocorreu imediatamente após a Polícia Federal solicitar a entrega dos passaportes do parlamentar. Sob as leis brasileiras e a atuação firme das instituições no país, a manobra de fuga passou a ser formalmente investigada pelas autoridades competentes.





