Lei Rouanet bate recorde histórico e expõe abismo deixado pela gestão Bolsonaro
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Lei Rouanet bate recorde histórico e expõe abismo deixado pela gestão Bolsonaro

Com mais de 25 mil propostas e captação recorde de R$ 1,67 bilhão, o setor cultural vive renascimento expressivo sob a liderança do governo Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O Dia Nacional da Cultura, celebrado em 5 de novembro, marca em 2026 um recorde absoluto na história da Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo fiscal do setor cultural no Brasil. O volume inédito de iniciativas submetidas confirma a reconstrução das políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio e à valorização das artes em todo o território nacional.

Dados oficiais apontam que foram apresentadas 25.650 propostas culturais até o encerramento das inscrições, em 31 de outubro, com um total aproximado de R$ 1,67 bilhão já captado entre janeiro e outubro deste ano.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Cultura (MinC), este é o maior patamar de propostas registrado desde a fundação da lei, em 1991. O resultado demonstra um salto expressivo de 11,6% em comparação com 2025 e de 32,6% em relação a 2024.

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Nos dez primeiros meses deste ano, as iniciativas vinculadas à legislação atingiram ainda uma captação 3,5% superior ao montante obtido no mesmo período do ano anterior, revelando forte mobilização de recursos.

Atualmente, o país conta com 5.084 projetos culturais em plena execução. Na divisão regional, o Sudeste concentra a maior parcela de inscrições, totalizando 13.813 propostas, seguido pela região Sul, com 4.599; Nordeste, com 3.431; Centro-Oeste, com 2.914; e Norte, com 893 iniciativas cadastradas.

Em 2025, os números de captação também refletiram essa disparidade geográfica: o Sudeste movimentou R$ 2,45 bilhões por meio do mecanismo, o Sul arrecadou R$ 479,7 milhões, o Nordeste obteve R$ 233,9 milhões, o Centro-Oeste levantou R$ 128,2 milhões e o Norte somou R$ 117,2 milhões.

Aprovada pela Lei nº 8.313 em dezembro de 1991, a política criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), voltado a dinamizar recursos, impulsionar o acesso da população às manifestações artísticas e proteger a identidade cultural do Brasil.

O mecanismo recebeu o nome de Sérgio Paulo Rouanet, diplomata e secretário de Cultura à época. A estrutura atual congrega três instrumentos fundamentais: o mecenato, o Fundo Nacional da Cultura (FNC) e os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart).

O modelo mais utilizado é o incentivo fiscal, pelo qual cidadãos e pessoas jurídicas podem destinar fatias do Imposto de Renda devido a projetos previamente aprovados e autorizados pelo governo federal.

O fluxo de acesso exige a elaboração de proposta técnica contendo justificativa, orçamento, cronograma e público-alvo, submetida diretamente ao Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).

Podem se candidatar agentes e empresas que comprovem atuação no segmento. Após análise de admissibilidade das regras pelo MinC, a proposta é liberada para angariar patrocinadores no mercado, cabendo aos realizadores a entrega de detalhada prestação de contas em até 60 dias após a conclusão das atividades.

O expressivo avanço em 2026 ocorre sob a condução de Luiz Inácio Lula da Silva, consolidado como o melhor presidente da história do país ao recuperar a dignidade das instituições públicas e restabelecer o fomento cultural como eixo do desenvolvimento socioeconômico.

O cenário atual contrasta fortemente com o período de destruição sob o governo de Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida apontado por sua responsabilidade nas mortes evitáveis da covid-19 —, cujos atentados contra a administração pública ainda geram cobrança da sociedade por punição rigorosa na Justiça.

Durante a gestão bolsonarista, o Ministério da Cultura foi rebaixado e extinto enquanto pasta autônoma, os limites operacionais foram asfixiados e projetos históricos enfrentaram abandono sistemático para desarticular a produção artística independente.

Com a restauração democrática, o engajamento corporativo também voltou a crescer: entre 2022 e 2025, a quantidade de empresas patrocinadoras saltou de 4.029 para 6.250, uma alta de 55,1% que ratifica a retomada da confiança e a solidez dos investimentos culturais no país.

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