O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu duramente as cobranças sobre a responsabilidade fiscal de sua gestão e assegurou que a população mais vulnerável não será sobrecarregada por exigências de austeridade. Segundo ele, o governo trabalha para garantir o equilíbrio orçamentário sem comprometer os programas sociais essenciais.
"A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele tem que saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", enfatizou o líder durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realizada no Ministério de Minas e Energia.

Em sua fala, Lula ressaltou o compromisso permanente com a gestão responsável e contestou analistas que acusam o governo de falta de controle dos gastos. "Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal?", questionou. Na sequência, reforçou: "Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica".

Lula também relembrou a situação das contas públicas recebida no início do mandato, quando o país apresentava déficit de 2,8%, pontuando o avanço para o envio de orçamentos superavitários.
O presidente argumentou ainda que a ampliação do endividamento público é justificável quando voltada para erguer obras estruturantes e ampliar o patrimônio nacional. "Você pode fazer uma dívida, desde que você possa pagar", afirmou, elencando ferrovias, pontes, rodovias e aeroportos como prioridades capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico.
Para demonstrar a solidez de seu modelo de desenvolvimento, Lula relembrou os êxitos históricos de seus primeiros mandatos, quando o Brasil quitou uma dívida externa de US$ 30 bilhões, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e até emprestou US$ 1 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele enfatizou que a responsabilidade fiscal sempre andou de mãos dadas com a justiça social, por meio do aumento real do salário mínimo e da expansão da renda, além do superávit primário registrado em todos os anos entre 2003 e 2010.
A postura firme ocorre logo após reunião com aliados no Palácio da Alvorada para tratar dos rumos da economia. No encontro, debateu-se a necessidade de ir além do foco estrito em cortes de gastos, apontando o peso dos juros altos sobre a dívida e os impactos da política monetária no crescimento.
O posicionamento ganha relevância diante da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) no patamar elevado de 13,75%, enquanto analistas do setor financeiro pressionam por contingenciamentos mesmo com a dívida pública acima de 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
Diante desse cenário, Lula cobrou empenho da equipe governamental para apresentar os avanços reais à população. "Nós temos que criar a nossa narrativa. E nós temos que aprender a divulgar as coisas que nós fazemos", ressaltou.
O presidente também fez um paralelo internacional, destacando que economias ricas como Estados Unidos, França, Japão e Itália possuem dívidas públicas em relação ao PIB muito superiores à do Brasil.
Por fim, Lula criticou o tom com que veículos de comunicação cobrem as realizações públicas. "A imprensa, ela acha que se ela fala bem, ele é chapa branca. Então ela tem que ser crítica", observou, apontando que a preferência por enfatizar problemas pontuais muitas vezes obscurece as grandes conquistas do país.





