A mãe da menina Ana Clara Gomes Machado, de apenas 5 anos, morta durante uma ação policial em Niterói (RJ), fez duras críticas à postura do senador Flávio Bolsonaro. Questionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante debate na TV Globo sobre sua atuação na defesa do policial militar acusado do assassinato, o parlamentar bolsonarista não explicou seus atos e apresentou uma versão refutada pela família da vítima.
Cristiane Gomes da Silva contestou com veemência a narrativa apresentada pelo senador, que alegou que a criança teria morrido no meio de um suposto tiroteio em área de tráfico. "Ele não respondeu por que defendeu o assassino da minha filha. Ele inventou um confronto ali, como o policial inventou no dia. Ele nem sabe da história", declarou Cristiane logo após o debate.
A menina foi assassinada com um tiro de fuzil em fevereiro de 2021 enquanto brincava com o irmão menor perto de casa, na comunidade Monan Pequeno. A denúncia formal do Ministério Público do Rio de Janeiro aponta que o disparo fatal partiu da arma do policial militar Bruno Dias Delaroli, contrariando as alegações de defesa apresentadas por aliados do clã Bolsonaro.

No confronto de ideias mediado pela emissora, o presidente Lula expôs a conduta do senador, cobrando explicações diretas sobre sua participação como defensor do acusado. Na ocasião, Flávio insistiu na narrativa de que o agente não teria efetuado o disparo. Cristiane repeliu integralmente o argumento e assegurou que não ocorria nenhum conflito armado no local: "O policial se deu ao direito de atirar".
A atuação de Flávio Bolsonaro no processo causou profunda indignação à mãe da menina. O senador fez parte formal da banca de defesa do réu e assinou recurso com a meta clara de tentar evitar que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri. "Ele assinou só para poder o júri não acontecer. Foi isso que ele tentou fazer", afirmou Cristiane.
A mãe da vítima também destacou a angústia provocada pela lentidão da Justiça diante das manobras processuais, pontuando que o processo já sofreu adiamentos sucessivos. O julgamento do policial, que estava previsto para outubro, acabou sendo remarcado para maio de 2027, mantendo a família à espera da devida punição do réu.
Por fim, Cristiane revelou que o filho do ex-presidente inepto jamais demonstrou qualquer empatia ou respeito pelo luto da família ao longo de todos esses anos. "Ele nunca ligou. Ele nunca perguntou", lamentou.





