Mello alerta: corte de R$ 200 bi ameaça programas e aposentadorias
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Mello alerta: corte de R$ 200 bi ameaça programas e aposentadorias

Secretário-executivo do Planejamento afirma que a proposta de Flávio Bolsonaro não seria viável sem atingir políticas sociais, salário mínimo, BPC e Previdência.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello, contestou a promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de cortar R$ 200 bilhões do Orçamento da União sem prejudicar direitos sociais.

Em análise divulgada nas redes sociais, Mello afirmou que a proposta não corresponde à realidade das contas públicas. "Ele tá fazendo a mesma coisa agora ao falar que vai cortar R$ 200 bilhões do orçamento sem cortar nenhum direito social. Isso é mentira", declarou.

Para demonstrar o tamanho do impacto, o economista simulou a retirada de recursos de políticas cuja suspensão não exigiria mudanças na Constituição.

O Pé-de-Meia custa R$ 10,5 bilhões por ano e atende mais de 4 milhões de estudantes do ensino médio. A Farmácia Popular tem orçamento anual de R$ 8 bilhões e fornece medicamentos gratuitos ou subsidiados a 27 milhões de brasileiros.

O Gás do Povo demanda R$ 7,6 bilhões por ano para atender 15 milhões de famílias vulneráveis. O Minha Casa, Minha Vida recebe R$ 5,5 bilhões anuais diretamente do Orçamento da União.

O Mais Médicos utiliza R$ 4,7 bilhões por ano e garante atendimento para cerca de 67 milhões de famílias em áreas periféricas e no interior. Já o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) conta com R$ 56 bilhões anuais para obras de infraestrutura, saneamento, logística e energia.

As bolsas da CAPES e do CNPq somam R$ 4,1 bilhões por ano e ajudam a manter 300 mil pesquisadores, além de apoiar a ciência brasileira.

Segundo os cálculos apresentados por Mello, mesmo a extinção de todos esses programas retiraria R$ 96,4 bilhões do Orçamento, menos da metade dos R$ 200 bilhões prometidos por Flávio Bolsonaro.

Ainda faltariam mais de R$ 103 bilhões para alcançar a meta. Na avaliação do secretário, essa diferença atingiria áreas protegidas pela Constituição e benefícios essenciais para a população trabalhadora.

"Todo o resto, os outros mais de R$ 100 bilhões que ele terá que cortar, certamente será em cima de redução real do salário mínimo, corte da aposentadoria, redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros benefícios sociais que afetam diretamente o cotidiano da população trabalhadora."

Mello afirmou que a falta de explicações sobre essas consequências oculta os efeitos reais da proposta sobre a rede de proteção social criada pela Constituição de 1988.

Ao concluir a análise, o secretário relacionou o plano ao modelo de redução dos serviços públicos adotado durante o governo Jair Bolsonaro. Para ele, o objetivo não seria melhorar a administração, mas abrir espaço fiscal para reduzir impostos dos mais ricos.

"O projeto que ele está anunciando sem coragem de dizer os reais impactos é um projeto de absoluta destruição do Estado brasileiro e de todas as políticas públicas que atendem os mais pobres. E para quê? Para poder cortar imposto dos mais ricos, que é o que ele sempre defendeu. É fundamental esclarecer a sociedade para mostrar as consequências reais de uma proposta como essa."

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