A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de passar a defender o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 provocou críticas no campo progressista. Em vídeo, o deputado eleito Marcelo Freixo classificou a mudança de posição como oportunismo diante da mobilização de trabalhadores e jovens.
"Flávio Bolsonaro, seu cara de pau, quer dizer que agora você é favorável ao fim da escala 6×1? Muito engraçado você, que foi contra o tempo inteiro", disparou Freixo, ao apontar uma contradição entre o novo discurso e as manifestações anteriores do senador e de sua família no Congresso Nacional.
Freixo também recordou a atuação de Flávio Bolsonaro como empresário e franqueado de uma loja de chocolates Kopenhagen. Segundo o deputado eleito, o negócio esteve no centro de investigações sobre desvio de recursos públicos, e o senador não teria demonstrado preocupação anterior com as condições de trabalho.
Ao tratar das propostas defendidas pelo bolsonarismo na área trabalhista, Freixo afirmou: "Você sempre foi contrário. Tem inúmeras declarações suas contrárias ao fim da escala 6×1. Você apresentou PEC falando da livre negociação de patrão e empregado".
Na avaliação de Freixo, a nova posição de Flávio não representa uma mudança de convicção, mas uma reação ao crescimento do debate nacional. Manifestações lideradas por jovens e trabalhadores levaram a discussão sobre a escala 6×1 às ruas de capitais como o Rio de Janeiro.
"Sabe por que você tá agindo assim? Porque você sabe que essa pauta nós ganhamos. Você sabe que a população está do lado do presidente Lula no fim da escala 6×1. Você viu as ruas se manifestando, a juventude indo para a rua, e sabe que pode perder essa eleição. Bateu o desespero", afirmou.
Freixo atribuiu o avanço da pauta aos movimentos sociais, aos trabalhadores mobilizados e à base política que apoia o presidente Lula. Para ele, a oposição tenta se aproximar de uma proposta que antes rejeitava.
"Essa vitória tá no colo do Lula, tá no colo dos movimentos sociais que foram para as ruas. Essa vitória é do povo brasileiro, e você é derrotado nessa história. Não adianta tentar enganar as pessoas: nós vamos ganhar e vamos festejar o fim da escala 6×1 ao contrário do que você defendeu a sua vida inteira."
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou espaço na política nacional e aumentou a pressão sobre setores bolsonaristas, que agora procuram conciliar sua proximidade com pautas empresariais e a disputa pelo apoio da classe trabalhadora.





