O salário mínimo brasileiro seria de aproximadamente R$ 852 em 2026 se, desde 2004, os reajustes tivessem acompanhado somente a inflação. O valor ficaria cerca de 47% abaixo dos atuais R$ 1.621 e mostra o possível impacto da proposta de acabar com a política de valorização, defendida por integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL).
O cálculo considera a correção do salário mínimo pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), entre janeiro de 2004, quando o piso era de R$ 260, e janeiro de 2026.
A política de valorização foi ampliada nos primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retomada em 2023. Ela assegura ganhos acima da inflação para trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais. Seu fim poderia reduzir o poder de compra e prejudicar a economia, principalmente o comércio e os pequenos municípios.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros recebem rendimentos vinculados ao salário mínimo. A estimativa é que a valorização do piso acrescente aproximadamente R$ 81 bilhões à economia somente em 2026.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores em São Paulo (CUT-SP), Raimundo Suzart, avalia que o fim da política teria consequências negativas para os trabalhadores e para os setores dependentes do consumo interno.
"Seria um desastre. O salário mínimo forte é a base da movimentação da economia, sobretudo para pequenos comércios. O aumento do mínimo impacta diretamente no crescimento da economia, porque o trabalhador consome, faz girar. Acabar com a valorização do salário mínimo é condenar o trabalhador à miséria, como faz o [presidente argentino Javier] Milei", declarou.
A economista Juliane Furno, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), também alertou: "Quando os trabalhadores ganham mais, cresce o consumo. E, se cresce o consumo, os empresários vão querer produzir mais para atender essa demanda. Cada R$ 1 a menos no reajuste do salário mínimo, dos servidores, na previdência ou no BPC representa uma perda enorme de renda local, comprometendo o comércio, os serviços e toda a atividade econômica", explicou.





