A disputa pelo segundo turno das eleições de 2026 ganhou uma ferramenta dedicada à mobilização de eleitores e à conquista de votos para o presidente Lula (PT). Criada pelo cientista de dados Mateus Pestana, a plataforma "Onde Dá pra Conversar" identifica regiões com potencial para ampliar o apoio ao candidato.
O projeto surgiu após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Preocupado com a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula, Pestana decidiu usar seus conhecimentos para localizar oportunidades de mobilização durante a segunda etapa da disputa.
Um dos pontos de partida foi o número elevado de eleitores que não compareceram às urnas. Mais de 33,4 milhões de brasileiros aptos a votar, o equivalente a 21% do eleitorado, ficaram fora do primeiro turno.
O total superou o recorde anterior de abstenções, registrado em 2022, quando aproximadamente 32 milhões de eleitores não votaram. Ao acrescentar votos brancos e nulos, Pestana calculou que mais de 48 milhões de votos poderiam estar em disputa.
Com base nesses números, o cientista desenvolveu uma base nacional com informações sobre mais de 26 mil localidades. A ferramenta procura indicar áreas nas quais ações organizadas podem alcançar um número expressivo de pessoas.
Os usuários podem pesquisar bairros e regiões para estimar o potencial de conquista de votos nas proximidades dos locais de votação. A ideia é orientar os apoiadores de Lula sobre onde concentrar os esforços.
No Grajaú, bairro mais populoso da cidade de São Paulo, a plataforma estima um potencial de 13.846 votos para Lula em um raio de um quilômetro dos locais pesquisados. O cálculo serve como referência para a mobilização e não representa uma garantia de resultado.
A iniciativa aposta no contato direto entre eleitores. Além das publicações nas redes sociais, o projeto incentiva conversas em ruas, estabelecimentos comerciais e outros espaços de convivência.
"É estimular que as pessoas tentem virar votos na rua, nos bares, restaurantes, em carros de aplicativo, retomar esse método de guerrilha original", defendeu Pestana.
A estratégia também apareceu na campanha de Lula. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o presidente convocou seus apoiadores a ampliar a presença nas ruas e conversar diretamente com a população.
"Bora gente, bora pra rua, vamos conversar com as pessoas", afirmou Lula. Na mesma gravação, acrescentou: "Vamos ganhar essas eleições para não permitir que o retrocesso volte para esse país".
Além do mapeamento territorial, a plataforma apresenta propostas do programa de governo de Lula. Os conteúdos abordam saúde, emprego, salários, trabalho, segurança pública, aposentadoria, direitos das pessoas idosas e temas relacionados às mulheres.
A organização dessas informações busca ajudar os apoiadores a explicar as propostas e responder às dúvidas dos eleitores. Dessa forma, a mobilização pode tratar de assuntos concretos da vida cotidiana, sem ficar limitada à disputa entre os candidatos.
A ferramenta também recomenda a criação de grupos de WhatsApp para organizar tarefas em cada território. Os participantes podem dividir responsabilidades e planejar conversas em locais movimentados, como pontos de ônibus e feiras livres.
O modelo permite distribuir o trabalho de acordo com as características de cada região. A proposta é transformar iniciativas individuais em ações coletivas direcionadas aos locais apontados pelo levantamento.
A mobilização nas ruas é apenas uma das frentes do projeto. A plataforma também recomenda atuação no Instagram, TikTok e Facebook, espaços nos quais a extrema direita mantém vantagem em determinados grupos.
A combinação entre atividades presenciais e comunicação digital acompanha a estratégia adotada pela campanha de Lula no segundo turno. Uma das medidas é a aproximação com lideranças jovens que possuem grande alcance nas redes sociais.
Entre os exemplos está a deputada federal Ana Elisa, eleita pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos. Com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram, ela pode ajudar a levar as mensagens da campanha a públicos que não acompanham os canais tradicionais da política.
A articulação entre conversas presenciais, grupos de mensagens e redes sociais busca estabelecer diferentes pontos de contato com o eleitorado. Cada frente pode ser organizada de acordo com as necessidades locais.
Lançada em 4 de outubro, a plataforma "Onde Dá pra Conversar" registrou quase 2 milhões de acessos. O número mostra a repercussão da iniciativa durante a intensificação da campanha do segundo turno.
Pestana afirma que o projeto não possui vínculo formal com nenhum partido. Segundo ele, a iniciativa representa suas convicções pessoais e sua disposição de participar do debate público.
"Eu não sou filiado a nenhum partido político, nunca fui. A plataforma apenas dialoga com com os moldes do País que eu quero e o que eu posso fazer para isso", declarou. A ferramenta procura transformar dados eleitorais em orientações práticas, combinando planejamento territorial, diálogo direto e presença digital.





