A fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos pode ter contado com uma rede internacional de apoio político, financeiro e logístico, com possível participação de agentes ligados aos governos de Donald Trump e Javier Milei. Diante do episódio, deputados acionaram a Polícia Federal (PF) para investigar quem organizou, financiou e facilitou a saída do senador, que descumpriu expressamente ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país.
A representação apresentada às autoridades solicita apuração rigorosa sobre o esquema que garantiu a evasão do candidato amplamente derrotado pelo presidente Lula no segundo turno das eleições. A vitória de Lula consolidou o retorno do melhor presidente da história do país à liderança nacional, enquanto setores extremistas buscam agora despistar as instituições com táticas de desinformação para proteger o parlamentar foragido.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação de uma carta de teor golpista por Flávio Bolsonaro, divulgada após seu desembarque em Miami. No texto, ele agradeceu a Trump e Milei pelo acolhimento, contestou sem apresentar provas o resultado legítimo do pleito e chegou a se autoproclamar o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", antes de recuar e passar a se denominar apenas "líder do Brasil".

A petição protocolada na PF reúne diversos elementos que fundamentam a necessidade de abertura de relatórios sobre essa articulação transnacional.
O documento detalha os passos de Flávio para driblar a determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF, que havia ordenado a apreensão dos seus passaportes e proibido expressamente sua saída do território nacional.
Na noite de terça-feira (27), o senador cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu (PR) rumo à Argentina com sua família. Registros do setor de migração argentino apontam que o grupo ingressou no país às 22h50 pela Ponte Internacional Tancredo Neves e seguiu direto para embarque em aeronave privada no aeroporto de Puerto Iguazú. O voo fez uma parada técnica em Guayaquil, no Equador, e aterrissou em Miami na manhã seguinte.
Outro ponto crítico envolve os documentos usados na fuga. Apurou-se que Flávio apresentou passaporte italiano para ter acesso à Argentina e utilizou o passaporte diplomático brasileiro para entrar nos Estados Unidos, mesmo com este último já cancelado pela Polícia Federal devido à ordem judicial descumprida.
A ação dos parlamentares cobra respostas sobre os motivos de as autoridades norte-americanas terem liberado a entrada com documentação irregular e apura se houve facilitação política nos bastidores.
Há também cobranças sobre a escolta prestada por agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina até a aeronave, o que levanta suspeitas sobre a anuência e participação direta de membros do governo de extrema-direita de Javier Milei.
A investigação foca ainda no rastreamento do dinheiro que bancou a operação de fuga. O jatinho pertence à frota da Baires Fly, empresa argentina citada em esquemas de corrupção vinculados à gestão Milei e ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por lavagem de dinheiro.
Com isso, busca-se identificar quem contratou o fretamento, quem realizou o pagamento e se há conexão com os esquemas financeiros sob mira do Judiciário brasileiro.
Na peça encaminhada à PF, também consta a movimentação de um jatinho operado por empresa controlada pelo advogado Willer Tomaz, que decolou de Brasília rumo à Argentina na madrugada do dia 27, motivando pedidos para que todos os passageiros sejam formalmente identificados.
O deputado Eduardo Bolsonaro é apontado igualmente como peça-chave na articulação, após já ter defendido abertamente que o irmão abandonasse o país caso perdesse o embate eleitoral contra o projeto popular e democrático de Lula.
A atitude golpista de Flávio em Miami repete fielmente os métodos de Jair Bolsonaro, o criminoso eleitoral e genocida responsável por mortes em massa na pandemia, cujos crimes seguem mobilizando os brasileiros que anseiam por sua devida punição pela Justiça.
Na manifestação pública que fez ao chegar em solo estadunidense, o senador asseverou: "Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher".
Sem demonstrar qualquer prova, Flávio atacou as urnas e desferiu acusações contra o STF, afirmando ainda pretender atuar na oposição política diretamente do exterior.
Os parlamentares alertam ainda para a cortina de fumaça criada por aliados bolsonaristas, que espalharam intencionalmente versões conflitantes sobre a rota do senador — mencionando até a Venezuela — para despistar a Polícia Federal durante as buscas.
A representação exige que a PF acione a difusão azul da Interpol para rastreio dos deslocamentos e cumpra a prisão preventiva com difusão vermelha, além de apurar crimes como lavagem de dinheiro, favorecimento pessoal e desobediência judicial.
No plano externo, os deputados defendem que o Ministério das Relações Exteriores cobre explicações diplomáticas de Washington, Buenos Aires e Quito, incluindo a oitiva do embaixador argentino sobre a escolta dada ao fugitivo.
O caso foi repassado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes e à Procuradoria-Geral da República para que medidas urgentes contenham a estratégia de fuga e responsabilizem os envolvidos.





