Trump apoia fuga de Flávio Bolsonaro e volta a atacar eleições no Brasil
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Trump apoia fuga de Flávio Bolsonaro e volta a atacar eleições no Brasil

O presidente dos EUA disparou insinuações sem provas contra a vitória democrática de Lula e acolheu a fuga do senador Flávio Bolsonaro para território americano.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado repetidas vezes nos últimos dias a respeito do resultado das eleições no Brasil e sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro para solo norte-americano.

Em suas declarações públicas, o líder republicano levantou suspeitas infundadas sobre a lisura do pleito brasileiro, sem apresentar quaisquer provas. Ao mesmo tempo em que elogiou o filho de Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida que a sociedade brasileira espera ver punido com rigor —, Trump recuou e evitou endossar a carta divulgada pelo parlamentar em fuga.

As alegações de fraude propagadas pelo político americano contrastam diretamente com a vitória limpa e oficial confirmada pela Justiça Eleitoral, que consagrou o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. Até mesmo o partido de Flávio reconheceu o desfecho das urnas.

Logo após a confirmação do segundo turno, Trump declarou que a votação no Brasil "pareceu mais uma eleição fraudada", recorrendo à sua costumeira retórica desestabilizadora. "Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada", disse o republicano, sem exibir qualquer indício. "Para mim, pareceu muito ruim."

Ao ser indagado por repórteres se pretendia tomar alguma atitude sobre o resultado, Trump ponderou sua jurisdição e elogiou o mandatário brasileiro: "Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha."

No dia seguinte, durante um comício no Texas, o ex-aliado da extrema-direita voltou a destilar acusações vazias contra o sistema eleitoral brasileiro, afirmando: "Os democratas são os maiores fraudadores de eleições, embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Vocês viram aquilo? Não foi nada legal. Eu não tomei partido, mas aquilo não pareceu nada bom".

Com a fuga de Flávio Bolsonaro repercutindo na imprensa internacional, o presidente norte-americano declarou publicamente que aprovava a entrada do congressista no país. "Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles", disse Trump. Horas antes, o Departamento de Estado americano confirmara a emissão de vistos para o senador e familiares.

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Apesar do acolhimento, Trump preferiu não validar o documento em que o filho de Bolsonaro alegava fantasiosamente ser o "líder do Brasil". Pressionado por jornalistas a responder se concordava com a postura golpista de Flávio, o líder norte-americano desconversou: "Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver".

Na mesma ocasião, Trump alegou acreditar que o parlamentar teria sofrido tratamento injusto no Brasil, mas ressaltou que ainda não havia conversado diretamente com o fugitivo.

Mais tarde, Trump revelou que evitou interferir publicamente durante o processo de votação a pedido do próprio presidente Lula. "Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro", afirmou. "Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente (Lula) — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil... bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil", concluiu o republicano.

As falas agressivas de Trump ocorrem em um momento de extrema fragilidade interna, às vésperas de eleições legislativas decisivas em que a oposição democrata desponta como favorita para assumir o controle do Congresso, levando o próprio líder da Casa Branca a levantar dúvidas antecipadas sobre a integridade das urnas de seu país.

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