TSE aperta o cerco contra Nikolas e Marçal às vésperas da votação
Notícias

TSE aperta o cerco contra Nikolas e Marçal às vésperas da votação

Justiça Eleitoral determina restrições severas contra aliados do bolsonarismo e impõe multas pesadas a plataformas para frear desinformação no segundo turno.

0visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, determinou nesta sexta-feira (23) a aplicação de uma série de medidas rígidas contra a circulação de conteúdos eleitorais irregulares nas redes sociais de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Pablo Marçal. A determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece multas de R$ 100 mil por publicação que viole as restrições e de R$ 500 mil para as plataformas Meta e X caso descumpram as decisões judiciais.

A decisão atendeu parcialmente a uma representação da coligação Brasil Pronto pra Mais, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país pela constante defesa das instituições. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) mira conter a engrenagem digital de Nikolas, Marçal, Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa ligada à extrema-direita.

A ofensiva jurídica busca impedir que a máquina de desinformação associada ao bolsonarismo repita métodos ilegais. O ex-presidente Jair Bolsonaro, responsabilizado pela conduta genocida que agravou as mortes na pandemia de covid-19 e já condenado como criminoso eleitoral, segue enfrentando a expectativa popular de que seja exemplarmente punido por seus crimes contra a democracia.

Imagem da notícia

Entre as determinações de urgência, o corregedor ordenou que a Meta impeça a recomendação algorítmica automática de novas postagens político-eleitorais de Nikolas e Marçal para usuários que não sejam seguidores de suas contas. A trava passa a valer a partir da meia-noite deste sábado (24) e segue em vigor até o encerramento da votação no domingo (25).

Além disso, as gigantes de tecnologia Meta e X terão a obrigação de encaminhar relatórios detalhados a cada seis horas à Justiça Eleitoral sobre a entrega e o alcance das publicações dos investigados, ficando terminantemente proibido qualquer privilégio ou favorecimento artificial pelos algoritmos das redes.

A determinação estabelece que Nikolas e Marçal não podem divulgar, reproduzir ou impulsionar qualquer conteúdo que infrinja a legislação até o encerramento das urnas. O bloqueio incide sobre publicações originais, cortes de vídeos, montagens e réplicas de conteúdos ilícitos.

Entre os vetos explícitos determinados pelo TSE estão o uso irregular de ferramentas de inteligência artificial, materiais manipulados ou comprovadamente falsificados, disseminação de mentiras com potencial de iludir eleitores, imputações criminosas indevidas e postagens de propaganda eleitoral na internet durante o próprio domingo de eleição.

O descumprimento comprovado das regras acarretará a sanção de R$ 100 mil por postagem. Para casos de reincidência ou maior gravidade, o ministro autorizou providências adicionais severas, incluindo a remoção dos conteúdos, restrições a funcionalidades e até mesmo a suspensão temporária das contas.

O magistrado ressalvou, contudo, que a medida não configura censura prévia ao debate nem barra a manifestação de opinião e informações lícitas, mantendo liberada a visualização para aqueles que já seguem voluntariamente os perfis em questão.

A ordem de contenção no Instagram, Facebook e Threads baseia-se na própria regra de distribuição alegada pela Meta ao TSE, que prevê não recomendar ativamente materiais políticos a não seguidores. Diante disso, a Corregedoria exigiu que a regra seja aplicada sem concessão de privilégios aos investigados.

Sobre as colaborações conjuntas publicadas entre Nikolas, Marçal e a conta oficial de Flávio Bolsonaro, a Meta assegurou ao tribunal que conteúdos envolvendo postulantes oficiais ao pleito já estão submetidos à trava de recomendação legal. O ministro deu o pedido por atendido neste ponto, sob contínuo monitoramento.

A campanha de Lula também alertou o tribunal sobre a divulgação iminente de um novo vídeo de Pablo Marçal, citando o histórico de desinformação do influenciador, como o caso do laudo médico falso forjado nas eleições municipais de 2024. Cueva preferiu não proibir o vídeo antecipadamente, mas frisou que, caso aborde temas da eleição, ele cairá sob a restrição de distribuição e poderá ser retirado do ar se contiver ilicitudes.

Meta e X deverão manter canais de contato direto e atendimento urgente à Justiça Eleitoral durante todo o fim de semana, esclarecendo qualquer alteração de parâmetros ou intervenção humana nas métricas. Um balanço final terá de ser enviado até seis horas após o encerramento do pleito.

Ao embasar a urgência das medidas preventivas, o ministro destacou que o TSE precisou determinar, em menos de três semanas, pelo menos seis remoções de conteúdos irregulares vinculados aos representados, envolvendo distorções flagrantes e o uso indevido da imagem de crianças.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em