Líderes dos principais partidos de oposição ao governo da Itália divulgaram nesta quinta-feira (15) um manifesto de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento alerta para tentativas de interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras e convoca os brasileiros que vivem na Itália a participar do segundo turno.
Assinam o manifesto Angelo Bonelli, porta-voz nacional dos Verdes e da Aliança Verde e de Esquerda; Giuseppe Conte, ex-primeiro-ministro e presidente do Movimento Cinco Estrelas; Elly Schlein, secretária do Partido Democrático; e Nicola Fratoianni, secretário da Esquerda Italiana.
Intitulado "Apelo pelo Brasil: pela democracia, pela justiça social e ambiental", o documento afirma existir "profunda preocupação" com o ambiente político da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Os dirigentes citam a prorrogação do estado de emergência nacional decretado pelos Estados Unidos contra o Brasil, as tarifas impostas ao país, a tentativa de envio de funcionários do Departamento de Estado para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e a restrição à página de Lula no Facebook às vésperas da eleição.
"Condenamos veementemente essas interferências: somente o povo brasileiro decide o destino do Brasil", afirmam os líderes italianos.
O manifesto também contesta a ofensiva de Trump contra o Supremo Tribunal Federal e lembra que o Brasil sofreu uma tentativa de golpe de Estado posteriormente julgada pela Justiça. Os signatários destacam ainda políticas dos governos Lula voltadas ao combate à fome, à defesa da Amazônia, à cooperação internacional e à redução da desigualdade.
Os quatro dirigentes enviaram uma mensagem especial aos brasileiros residentes na Itália e à comunidade ítalo-brasileira.
"Vão votar!", clamam.
Os líderes defendem a renovação da confiança em Lula para que o presidente continue o trabalho de combate à pobreza e à desigualdade. O manifesto termina com a mensagem: "Defender a democracia brasileira significa defender a democracia para todos."
Angelo Bonelli já havia ganhado projeção no Brasil em julho de 2025, quando informou à polícia italiana o endereço em Roma onde estava Carla Zambelli, então foragida da Justiça brasileira.
O deputado afirmou ter repassado às autoridades a localização da bolsonarista em um apartamento no bairro Aurelio. Pouco depois, Zambelli foi localizada e presa.
Antes da prisão, Bonelli pressionava o governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni para que colaborasse com o processo de extradição. Agora, ele volta a se manifestar sobre o Brasil ao lado de Conte, Schlein e Fratoianni.
Na íntegra, o manifesto declara:





