A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral, nesta quinta-feira (15), a investigação de 255 contas no Instagram. Os perfis são suspeitos de integrar uma rede de propaganda eleitoral favorável a Flávio Bolsonaro (PL) e de ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque identificou 1.204 publicações distribuídas entre os perfis investigados. Em apenas um mês, a rede acumulou 58 milhões de visualizações.
Os conteúdos teriam sido produzidos com o uso de inteligência artificial. Entre as postagens analisadas, somente 12,9% informavam o emprego da tecnologia.
O pedido foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa. A PGE quer que a Meta, responsável pelo Instagram, faça uma análise individual de todas as contas.
A empresa deverá apresentar, no prazo de 24 horas, informações sobre possíveis irregularidades e as providências adotadas em relação a cada perfil, caso o pedido seja aceito pela Justiça Eleitoral.
A Procuradoria considerou insuficientes as explicações dadas anteriormente pela Meta. O órgão afirma que a plataforma não esclareceu se examinou toda a rede identificada pelo instituto.
Em manifestação enviada à PGE, a Meta informou ter analisado 35 perfis mencionados inicialmente em uma reportagem. Sete foram desativados, quatro já estavam fora do ar e 24 foram considerados de acordo com as regras da plataforma.
A resposta não satisfez o Ministério Público Eleitoral. A PGE ressaltou que o relatório completo estava disponível publicamente desde 22 de setembro.
No documento enviado ao TSE, a Procuradoria questiona a demora na adoção de medidas e a falta de informações sobre a totalidade das contas suspeitas.
"Registra-se, ainda, que o relatório do instituto era público desde 22.9.2026, que a plataforma nada respondeu quando procurada e que sete contas só foram desabilitadas após a determinação deste juízo. A investigação que a manifestação de 15.10.2026 reputa concluída alcançou as 35 contas identificáveis na reportagem; a relação integral, juntada posteriormente sob sigilo, permanece sem notícia de exame pela plataforma", afirma o documento.
O caso mostra uma divergência entre a avaliação da Meta, que considerou encerrada a análise do grupo inicial, e a posição da Procuradoria, que exige uma investigação mais ampla.
Outro ponto considerado urgente envolve uma conta suspeita de ter sido criada para substituir um perfil anteriormente bloqueado por ordem da Justiça Eleitoral.
Segundo a PGE, a situação pode ir além de uma possível violação das regras do Instagram. Se a ligação entre os perfis for comprovada, a nova conta pode representar uma tentativa de contornar uma decisão judicial.
"Comporta tratamento imediato, contudo, a conta criada em substituição a perfil bloqueado por ordem da Justiça Eleitoral. Neste recorte não há moderação a ponderar, e sim possível burla à decisão judicial. Cabe determinar à representada que verifique de imediato, em seus registros de dispositivos e acessos, o vínculo entre as duas contas e, confirmado o liame e observado o alcance da ordem descumprida, promova a remoção em 24 horas, com comunicação ao juízo que proferiu a ordem originária."
A medida solicitada prevê que a Meta verifique registros de dispositivos e acessos para identificar uma possível ligação entre as duas contas. Se o vínculo for confirmado, a PGE pede que o novo perfil seja removido em até 24 horas.
A empresa também deverá comunicar a providência ao juízo responsável pela ordem original de bloqueio, caso a determinação seja acolhida.
O uso de inteligência artificial está no centro da apuração. Aproximadamente 87% das publicações analisadas não apresentavam indicação de que a tecnologia havia sido empregada.
O alto alcance dos perfis, a falta de identificação da inteligência artificial e o direcionamento político das postagens levaram a Procuradoria a cobrar explicações mais detalhadas. Os dados, contudo, ainda não provam que todas as contas cometeram irregularidades eleitorais.
O processo está sob a responsabilidade do ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE. Até a divulgação do pedido, ainda não havia decisão sobre as medidas solicitadas pela PGE.





