Gasolina dispara 40% em dólar na Argentina de Milei
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Gasolina dispara 40% em dólar na Argentina de Milei

Entre outubro de 2025 e outubro de 2026, o combustível subiu cerca de 40% em dólar na Argentina, ante 13% no Brasil governado por Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O preço da gasolina aumentou proporcionalmente três vezes mais na Argentina do que no Brasil entre outubro de 2025 e outubro de 2026. Em dólar, a alta foi de aproximadamente 40% no país governado por Javier Milei e de 13% no Brasil sob a liderança de Lula.

O resultado chama atenção porque o projeto econômico de Milei é apontado como referência para Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Sua equipe econômica se inspira nas reformas adotadas pela Argentina.

O comportamento dos combustíveis tem impacto direto sobre a inflação. Altas nas bombas elevam os custos de transporte, pressionam os fretes e podem chegar aos preços dos alimentos e de outros produtos.

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No Brasil, o preço médio nacional da gasolina comum era de R$ 6,22 por litro na semana de 12 a 18 de outubro de 2025. Entre 4 e 10 de outubro de 2026, a média alcançou R$ 6,585.

Em reais, a elevação foi de aproximadamente 5,9%. Após a conversão pela cotação do dólar próxima a cada período, o preço passou de cerca de US$ 1,15 para US$ 1,30 por litro, uma alta estimada em 13%.

Na Argentina, a gasolina super custava 1.481,36 pesos por litro em outubro de 2025. Em 12 de outubro de 2026, o valor de referência chegou a 2.208,33 pesos, avanço nominal de 49,1% na moeda local.

Com uma cotação média de aproximadamente 1.426 pesos por dólar em outubro de 2025, o combustível argentino equivalia a cerca de US$ 1,04 por litro. Em outubro de 2026, o preço de referência era de aproximadamente US$ 1,46.

A inflação também seguiu trajetórias muito diferentes. Na Argentina de Milei, o índice acumulado nos 12 meses foi de 33,4%. No Brasil de Lula, o IPCA registrou 4,58% no mesmo período.

A diferença mostra que a pressão sobre os consumidores argentinos foi muito mais intensa. No Brasil, embora a gasolina também tenha ficado mais cara, a variação permaneceu bem abaixo da registrada no país vizinho.

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O mercado internacional de petróleo igualmente enfrentou forte alta. As guerras no Irã e na Ucrânia, além da instabilidade no estreito de Bab Al-Mandeb, no Oriente Médio, contribuíram para pressionar as cotações.

O barril do petróleo Brent teve média mensal próxima de US$ 65 em outubro de 2025. Em 15 de outubro de 2026, era negociado por aproximadamente US$ 106,08, aumento de cerca de 63%.

A cotação internacional, porém, não determina sozinha quanto o consumidor paga. O preço final também depende do câmbio, do refino, da distribuição, dos tributos, da mistura de etanol, das margens comerciais e das políticas adotadas em cada país.

No Brasil, a Petrobras encerrou em maio de 2023 a política que utilizava a paridade de importação como principal referência. A estatal passou a considerar fatores como custos alternativos de fornecimento, condições do mercado e sua participação no consumo nacional.

A mudança promovida durante o governo Lula não eliminou os efeitos das oscilações externas, mas alterou os critérios usados pela Petrobras na venda às distribuidoras. O preço cobrado nos postos continua dependendo de outros agentes e dos impostos.

Na Argentina, Milei avançou com uma agenda de liberalização econômica e redução das intervenções do Estado. Os combustíveis ficaram sujeitos a um cenário de mudanças cambiais, inflação elevada, ajustes tributários e decisões comerciais das empresas.

Os números revelam os efeitos de estratégias econômicas distintas. Enquanto o Brasil adotou uma política de preços menos ligada automaticamente ao mercado externo, a liberalização argentina veio acompanhada de uma alta muito maior para a população.

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