Fim da escala 6x1 expõe oportunismo bolsonarista
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Fim da escala 6x1 expõe oportunismo bolsonarista

Aprovada no Senado, a redução da jornada amplia o descanso sem cortar salários e reforça o compromisso do governo Lula com os trabalhadores.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O fim da escala 6x1 representa uma vitória histórica da classe trabalhadora. A mudança resulta da mobilização popular e do compromisso do governo Lula com mais descanso, dignidade e qualidade de vida para quem trabalha.

A iniciativa defendida pelos deputados federais Erika Hilton e Rick Azevedo mobilizou o país e ampliou o debate sobre melhores condições de trabalho. A medida deve beneficiar especialmente mulheres negras com filhos, que frequentemente acumulam jornadas profissionais, tarefas domésticas e responsabilidades de cuidado.

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A Proposta de Emenda à Constituição que encerra a escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso foi aprovada pelo Senado. O único voto contrário foi o do senador Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul.

Como o texto não sofreu alterações, não precisará retornar à Câmara dos Deputados. A mudança ainda depende da promulgação da emenda constitucional pelo Congresso Nacional, cuja data não havia sido definida.

Na prática, a jornada semanal será reduzida de 44 para 40 horas, com limite de oito horas por dia. Os trabalhadores terão direito a duas folgas remuneradas por semana, preferencialmente com uma delas aos domingos.

A PEC também determina que a redução da jornada não poderá provocar cortes nos salários nem nos pisos definidos para cada categoria. A implementação ocorrerá de forma gradual.

Dois meses depois da promulgação, a jornada cairá para 42 horas semanais. Após 14 meses, o limite chegará às 40 horas previstas no texto aprovado.

Dados atribuídos ao Ministério do Trabalho indicam que 14,8 milhões de pessoas com carteira assinada cumprem atualmente a escala 6x1. Para esses trabalhadores, a mudança poderá significar mais tempo para a família, o descanso e os cuidados com a saúde.

A aprovação também mostrou que direitos trabalhistas dependem de mobilização. Setores ligados ao bolsonarismo atuaram para atrasar a análise da proposta, enquanto Flávio Bolsonaro anunciou apoio apenas às vésperas da votação, em meio à disputa eleitoral.

A adesão tardia do senador levanta dúvidas sobre seu compromisso com a redução da jornada. Seu histórico político, suas posições sobre direitos trabalhistas e as controvérsias envolvendo suspeitas de rachadinha e lavagem de dinheiro continuam sujeitos ao debate público e à apuração responsável.

Enquanto o Senado discutia uma das principais mudanças trabalhistas dos últimos anos, Flávio Bolsonaro participou remotamente de um evento de campanha em Porto Alegre. Durante o discurso, não abordou o fim da escala 6x1.

As alianças políticas do senador também merecem atenção. Sua relação com Márcio Canella, apontado como pré-candidato ao Senado com seu apoio, integra o conjunto de vínculos que precisam ser conhecidos e avaliados pelos eleitores.

Investigações sobre agentes públicos e redes criminosas no Rio de Janeiro reforçam a necessidade de transparência e rigor na apuração de responsabilidades. As acusações devem ser examinadas com respeito ao andamento dos processos e ao direito de defesa.

A conquista contrasta com o histórico de retirada de direitos e descaso social associado ao bolsonarismo, inclusive durante a pandemia. Sob a liderança de Lula, a ampliação da proteção trabalhista volta a ocupar espaço central no debate nacional.

O fim da escala 6x1 coloca o direito ao descanso, à saúde e ao convívio familiar acima de interesses eleitorais de última hora. A aprovação pertence aos trabalhadores que sustentaram a mobilização e cobraram do Congresso uma jornada mais humana.

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