O coordenador-geral da campanha do presidente Lula, Edinho Silva, afirmou que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, errou ao determinar a derrubada do canal "Exército de Lula", que reunia mais de 4 milhões de participantes no WhatsApp. Edinho também acusou a Meta, responsável por Instagram, WhatsApp e Facebook, de interferir na disputa eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro.
Ao comentar a suspensão do canal ligado ao deputado André Janones, Edinho defendeu o direito de mobilização política nas plataformas digitais. "Ele [ministro] errou. Se formos tirar a autonomia da organização social nas redes, estaremos enfraquecendo a democracia. Uma coisa é o direito de a sociedade se organizar nas redes, outra coisa é fake news. Combater fake news é uma obrigação legal, mas isso não pode ser confundido com o direito de organização da sociedade", declarou.
Segundo Edinho, a campanha de Lula pediu providências ao TSE e pretende procurar organismos internacionais para denunciar a atuação da Meta. "Entramos na Justiça. O que a Meta está fazendo é talvez uma das maiores atrocidades do ponto de vista da disputa eleitoral brasileira, uma ingerência. Essa manipulação, por exemplo, da inteligência artificial é de uma gravidade absurda. Tanto é que estamos denunciando aos organismos internacionais, além de pedir providência ao TSE", pontuou.
O presidente nacional do PT disse que publicações favoráveis a Lula tiveram o alcance limitado, enquanto conteúdos do adversário foram impulsionados. "Já vimos registrado que ela estava cerceando o acesso aos nossos conteúdos e liberando os conteúdos do nosso adversário. Aquilo que a gente postava era retido. O que o nosso adversário postava era organicamente impulsionado", afirmou. Ele acrescentou que "a própria Meta reconheceu, está documentado, que houve um erro em reter os nossos conteúdos, em ter uma postura totalmente oposta em relação ao nosso adversário".
Sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e nas pesquisas, Edinho avaliou que a crise do Judiciário prejudicou Lula. "O que conduziu Flávio foi a crise do Supremo. Atingiu o incumbente. Por mais que Lula tenha se posicionado a favor das investigações, aos olhos da sociedade, Supremo, STJ, TJ, tribunais, Congresso Nacional, é tudo sistema. É tudo, entre muitas aspas, governo. Lula pagou o preço da crise do Judiciário", explicou. Ao defender o legado social de Lula, questionou: "a sociedade começa a prestar mais atenção em quem é Flávio Bolsonaro. O que o governo Bolsonaro fez, quem congelou salário e aposentadoria? Quem cortou BPC e recursos da Farmácia Popular e desorganizou o SUS? Não podemos esquecer as 714 mil covas que o Brasil abriu durante a pandemia".
No segundo turno, a campanha pretende cobrar explicações sobre as propostas econômicas do candidato do PL. "Essa ideia do tesouraço do Flávio deixou a sociedade muito preocupada. Tesoura vai cortar o quê? Imediatamente as pessoas fazem uma comparação com a motosserra do Milei na Argentina. Essa mobilização Brasil afora vai refletir nas pesquisas", disse Edinho. "O medo é despertado pelo que Flávio Bolsonaro fala. Ninguém tem medo de algo que não existe. Quem falou em tesouraço e em reforma constitucional foi o Flávio Bolsonaro e a assessoria dele. Quando você fala em cortar R$ 200 bi, as pessoas raciocinam: que corte é esse que se vai executar?", completou.
Edinho afirmou que Lula deverá questionar o adversário nos debates sobre cortes e segurança pública. "o Flávio tem muito que se explicar. Tem que dizer o que é o tesouraço, de onde cortar e como ele pode falar em segurança pública se condecora integrante do crime organizado". O coordenador também disse que o presidente teria participado de um confronto direto no primeiro turno se esse formato estivesse previsto e que os debates do segundo turno são prioridade.
Ao tratar dos rumores de que o vice-presidente Geraldo Alckmin poderia ser anunciado antecipadamente para o Ministério da Fazenda, Edinho rejeitou a possibilidade. "Alckmin tem cumprido um papel muito importante e a vice-presidência já é um espaço robusto. Seria muita ingenuidade anunciar ministro no meio de uma disputa, mesmo sendo vice-presidente. Abriria debate de ocupação de cargo no meio da campanha. Seria uma insensatez política", argumentou.
O dirigente também elogiou a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva na campanha. "Essa contradição não existe. São tarefas distintas. A Janja tem cumprido um papel importante, principalmente no diálogo com as mulheres, na defesa das políticas de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. Tem opiniões importantes em relação às redes", enfatizou. Sobre a comunicação digital de Lula, acrescentou: "Ela defendeu muito. E o presidente nunca falou ‘não’, o problema é que na agenda nunca foi priorizado. Sempre aparecia um encaixe. No segundo turno, Janja foi fundamental para que blindassem a agenda dele, tanto é que a primeira do dia hoje é a gravação de selfie. Ela foi fundamental nessa construção".
Edinho afirmou que não se sentiu pessoalmente responsabilizado quando Lula classificou a campanha como a menos organizada de que já havia participado. "Não. Todo mundo sabe da minha relação com o presidente, da confiança que ele tem comigo. Ele fez críticas duras a uma estratégia que tentamos construir e não funcionou. Imediatamente corrigimos", declarou.
O coordenador também negou ter sido desautorizado pela entrada de ex-ministros e governadores na articulação eleitoral. "Ao contrário, quem mais defendeu o Camilo na coordenação fui eu. Disse ao Rafael e ao Rui que eles deveriam vir ajudar a gente", afirmou. Ao mencionar divergências sobre a proibição das plataformas de apostas eletrônicas, disse: "nunca deixei de conversar com Sidônio [Palmeira]. Tivemos posicionamento diferente, mas é o que eu digo: a coordenação de campanha é coletiva. Eu acho que a gente acerta juntos e também erramos juntos".
Por fim, Edinho descartou a possibilidade de o PT passar à oposição depois da eleição e reafirmou a confiança na liderança de Lula. "não, não estou preparado. Estou preparado para ser base do governo do presidente Lula e fazer um governo histórico".





