Participantes do ato "Artistas contra o Bolsonarismo", realizado em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relataram agressões durante o encontro com uma manifestação bolsonarista em Belém, no Pará. O episódio ocorreu na esquina da rua Antônio Barreto com a avenida Visconde de Souza Franco, conhecida como Doca.
O confeiteiro e artista Diego Brasil, homem trans e integrante da segurança do ato, afirmou que foi empurrado por manifestantes da extrema direita. Segundo ele, a agressão deu início a uma confusão generalizada.
"Eu sou da segurança do ato. Eu estava fazendo um cordão humano para segurar a nossa galera em uma das faixas da rua quando eles vieram para cima de mim, justamente o alvo mais fácil, porque todos os outros eram homens cis", conta Diego.

Diego é estudante da licenciatura em teatro da Escola de Teatro e Dança da UFPA, a Universidade Federal do Pará. Alunos da instituição participaram da organização da caminhada.
De acordo com o relato do estudante, os bolsonaristas o empurraram na altura do peito enquanto ele tentava impedir o avanço sobre os demais participantes.
"Eu só travei com a bandeira, para eles não virem para cima dos nossos manifestantes. Não fui para cima deles. Mas eles vieram para cima a ponto de a minha bandeira quebrar, e eles continuaram empurrando. Foi aí que a nossa galera foi para cima porque eles estavam me empurrando, me machucando. Foi aí que a porrada começou", contou.
Antes do encontro entre os dois grupos, a coordenação do ato de esquerda havia orientado os participantes a não interagir com os bolsonaristas e apenas seguir o percurso planejado.
Uma manifestante favorável a Lula, que preferiu não se identificar, afirmou que tentou separar a briga e também acabou empurrada.
"Eu fui para separar a briga. Havia pessoas do lado bolsonarista, que estavam de preto, que vieram para brigar, tanto que eles colocaram os punhos para fora, contra os jovens da cultura, que estavam tentando se defender. Foram eles que vieram para cima. Foram eles que tentaram puxar briga."
Ela disse que, quando os apoiadores de Lula tentaram recuar, "pois nossa manifestação era pacífica, eles tentaram arrumar mais briga".
"Aí foi preciso que os militantes colocassem as bandeiras na frente e dissessem "não, nosso ato é pacífico, não somos de briga, nos respeitem"", contou a participante.
A confusão durou alguns minutos e terminou após a chegada da Polícia Militar. A caminhada em apoio a Lula prosseguiu até a frente do supermercado Líder.
Em nota oficial, a organização do "Artistas contra o Bolsonarismo" manifestou "seu repúdio à violência ocorrida durante a caminhada desta quarta-feira, 14 de outubro, no cruzamento da rua Antônio Barreto com a avenida Visconde de Souza Franco (Doca), em Belém".
"O que deveria ser um momento de mobilização, expressão artística e manifestação democrática foi marcado por um episódio de violência envolvendo apoiadores bolsonaristas", diz o comunicado.
O texto prossegue: "Reafirmamos que nenhuma divergência política justifica agressões, intimidações ou ameaças à integridade de quem exerce seu direito de manifestação. A liberdade de expressão e o direito de ocupar as ruas de forma pacífica são pilares fundamentais da democracia e devem ser respeitados".
A organização também declarou "solidariedade às pessoas atingidas e a todas e todos que participaram do ato".
"Seguiremos defendendo a arte, a cultura, a liberdade de expressão e o direito à manifestação democrática. Reafirmamos também a importância de apurar os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos, respeitando os procedimentos legais", finaliza a nota.





