Criptomoedas pró-Flávio viram alvo de ações
Notícias

Criptomoedas pró-Flávio viram alvo de ações

PT e campanha de Lula preparam quatro medidas judiciais contra estratégia que oferece moedas digitais pela divulgação de conteúdo eleitoral.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O PT e a campanha do presidente Lula preparam quatro ações judiciais, incluindo pedidos de medidas cautelares e processos criminais, contra uma estratégia que oferece criptomoedas a usuários que divulgarem conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL.

Foi apurado que as equipes jurídicas se reuniram na manhã desta quinta-feira (8) para analisar o caso. As medidas devem questionar possíveis irregularidades eleitorais e financeiras.

Imagem da notícia

A estratégia foi lançada na quarta-feira (7) por Kevim Flores e utiliza vídeos do HypersKids, perfil formado por crianças dançarinas de Uganda.

O grupo reúne cerca de 13 milhões de seguidores no Instagram e passou a divulgar o Brasil 22 Token, identificado pela sigla B22.

O B22 é uma moeda digital criada na rede Solana, plataforma usada para emitir e transferir criptomoedas.

O projeto oferece unidades da moeda como recompensa para usuários que compartilhem conteúdos associados ao B22 e à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O modelo levanta suspeitas de propaganda eleitoral remunerada. Dependendo da finalidade dos pagamentos e da participação dos envolvidos, também poderá ser investigada uma possível compra de votos.

Uma criptomoeda não equivale automaticamente a dinheiro. Seu valor depende da existência de pessoas interessadas em comprá-la.

Quanto maior a procura, maior pode ser o preço da moeda. Se não houver compradores, os participantes podem ficar com unidades sem valor financeiro realizável.

É nesse mecanismo que se baseia a estratégia do B22, que busca ampliar sua divulgação nas redes sociais.

O projeto anunciou a criação de 1 bilhão de tokens. Desse total, 120 milhões, ou 12%, foram destinados ao HypersKids.

Outros 100 milhões foram reservados para marketing e parcerias, enquanto 50 milhões ficaram destinados à equipe responsável e 30 milhões às recompensas para a comunidade.

Para receber as moedas, os interessados são orientados a criar uma carteira digital, compartilhar o projeto nas redes sociais e enviar o endereço da publicação para validação.

Esse tipo de distribuição é conhecido como airdrop e consiste na entrega de unidades digitais a participantes de um projeto.

Na prática, a estratégia pode aumentar a circulação de conteúdos relacionados ao B22 e à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, os organizadores mantêm parte das moedas, que poderão se valorizar caso a divulgação atraia novos compradores.

Isso não comprova que os responsáveis tenham obtido ganhos financeiros. No entanto, será necessário identificar quem controla as carteiras digitais e quem recebe dinheiro com a negociação dos tokens.

A distribuição de criptomoedas para divulgar um candidato não configura automaticamente compra de votos.

O fato de a recompensa ser oferecida em moeda digital, e não em reais, porém, não impede a aplicação da legislação eleitoral.

O artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997 proíbe oferecer, prometer ou entregar dinheiro, bens ou vantagens pessoais a eleitores com o objetivo de obter votos.

Para caracterizar captação ilícita de votos, é necessário demonstrar que a vantagem foi oferecida com finalidade eleitoral e definir a responsabilidade das pessoas envolvidas.

A legislação também proíbe a remuneração de usuários pela divulgação de propaganda política nas redes sociais, mesmo quando não existe uma promessa direta de voto.

O artigo 29, parágrafo 8º, da Resolução TSE nº 23.610/2019 veda sistemas de premiação, competição ou remuneração que ofereçam vantagens econômicas para a divulgação de conteúdos político-eleitorais.

A Resolução TSE nº 23.735/2024 também prevê que organizações comerciais na internet podem cometer abuso de poder econômico ou captação ilícita de votos ao oferecer produtos, valores e prêmios ligados a candidatos ou resultados eleitorais.

No caso do B22, a Justiça poderá avaliar se as moedas são uma recompensa pela promoção de um produto digital ou uma forma indireta de pagar propaganda eleitoral para Flávio Bolsonaro.

A estratégia apresenta semelhanças com os campeonatos de cortes promovidos por Pablo Marçal durante a campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024.

Na ocasião, usuários publicavam vídeos do então candidato e concorriam a prêmios financeiros conforme o alcance das postagens.

A prática foi questionada na Justiça Eleitoral e integrou o processo que resultou na manutenção da inelegibilidade de Marçal por oito anos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

No B22, a diferença está no formato da recompensa. Em vez de dinheiro entregue diretamente, os organizadores utilizam uma criptomoeda negociável, mas a semelhança não comprova que exista a mesma irregularidade.

O projeto informa que o HypersKids poderá vender até um milhão de tokens por dia para financiar a construção de uma casa em Kampala, capital de Uganda. A investigação deverá esclarecer se as moedas foram distribuídas, quem controla as carteiras, quais valores foram obtidos e se existe conexão financeira entre os organizadores e a campanha de Flávio Bolsonaro.

0visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em