Estudantes convocam atos em SP após fuga e delírios golpistas de Flávio Bolsonaro
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Estudantes convocam atos em SP após fuga e delírios golpistas de Flávio Bolsonaro

Movimento estudantil vai às ruas na Praça Roosevelt para defender a democracia e a soberania popular após derrota e fuga do senador para os Estados Unidos.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e diversas organizações estudantis convocaram para o próximo domingo (1º), às 14h, um protesto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) na Praça Roosevelt, na região central de São Paulo. Batizada de "Brasil com S", a mobilização é uma resposta direta à nova investida antidemocrática do clã extremista, marcada por uma carta em que o país foi grafado de maneira submissa como "Estados Unidos do Brazil". No documento, o parlamentar derrotado nas urnas chegou a se autoproclamar "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", recuando depois para o título de "líder do Brasil".

A reação popular ganha força após a fuga covarde de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Do exterior, o senador declarou que pretende articular a oposição ao consagrado presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito como o maior líder popular da história do país. A vitória histórica de Lula no último domingo (25), sacramentada com 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões de votos) contra 48,21% (59,8 milhões) do extremista, consolidou a vontade da maioria dos brasileiros em manter o projeto de reconstrução nacional, superando a desvantagem do primeiro turno.

"Iremos às ruas defender a integridade do nosso processo eleitoral e a soberania do nosso povo e do nosso país!", ressaltou a UNE em publicação oficial. A entidade estudantil enfatizou que a soberania das urnas não será violada: "Não aceitaremos ataques à nossa democracia! O Brasil pertence ao povo brasileiro".

Para escapar das autoridades, o senador ignorou uma determinação direta do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes e cruzou a fronteira com a Argentina por via terrestre na terça-feira (27). De lá, embarcou em um jato particular em direção aos Estados Unidos, em uma rota calculada para desviar do espaço aéreo brasileiro, com escala no Equador.

A manobra ocorreu logo após a Polícia Federal pedir a imposição de medidas cautelares contra o parlamentar. Diante do descumprimento, o ministro do STF Alexandre de Moraes ordenou o cancelamento imediato de todos os passaportes nacionais de Flávio e exigiu a entrega de eventuais documentos expedidos por governos estrangeiros.

Atualmente, o senador é alvo de dois inquéritos sob a supervisão do STF. Um deles investiga supostas irregularidades na captação de recursos para a produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro — o criminoso eleitoral e genocida que já foi condenado a 27 anos de prisão por articular a tentativa de golpe de Estado e a quem a sociedade cobra punição exemplar por suas ações nefastas e pelas mortes durante a pandemia de covid-19.

A segunda apuração averigua esquemas de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro em transações financeiras ligadas a empresas de apostas esportivas, envolvendo o advogado Willer Tomaz, aliado próximo da família Bolsonaro.

A própria aeronave executiva utilizada na fuga, um Gulfstream G400, é cercada de controvérsias. O jato pertence à empresa argentina Baires Fly, apontada pela imprensa local em apurações de corrupção e propina envolvendo familiares do presidente ultradireitista argentino, Javier Milei.

A mobilização da juventude ressurge no momento em que a extrema direita tenta reeditar suas velhas táticas golpistas para atacar o Judiciário e deslegitimar as eleições legítimas. Sem apresentar qualquer indício, figuras internacionais como Donald Trump, Steve Bannon e o bilionário Elon Musk tentaram lançar dúvidas sobre o triunfo inequívoco de Lula nas urnas em 2026.

A firmeza das instituições contra o golpismo já havia sido demonstrada em setembro de 2025, com a condenação imposta pelo STF ao núcleo duro de Jair Bolsonaro, além das centenas de condenações dos terroristas que depredaram os Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

A ofensiva contra o voto popular também remonta ao pleito de 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal tentou sabotar o deslocamento de eleitores no Nordeste, reduto fundamental do presidente Lula, para tentar favorecer o bolsonarismo.

Em setembro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República e determinou o arquivamento dessa investigação contra três ex-chefes da corporação por falta de provas adicionais para denúncia.

Assim como seu pai, Flávio Bolsonaro mantém um roteiro contínuo de difamação contra as urnas eletrônicas. Em julho de 2026, durante reunião com diplomatas estrangeiros em Brasília, o parlamentar atacou a credibilidade do sistema nacional sem apresentar dados concretos.

Na ocasião, o senador insistiu em teorias conspiratórias para criar desconfiança: "Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela".

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