Fiesp entra na mira por campanha anti-Lula
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Fiesp entra na mira por campanha anti-Lula

Emídio de Souza pede investigação sobre o uso de recursos da entidade para impulsionar críticas ao presidente Lula e um possível benefício eleitoral a Flávio Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu a investigação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de seu presidente, Paulo Skaf.

O parlamentar aponta a suspeita de financiamento irregular de propaganda político-eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o uso de recursos da entidade empresarial para impulsionar publicações nas redes sociais.

O pedido foi motivado por informações publicadas em 7 de outubro sobre o impulsionamento de um vídeo no qual Skaf criticava Lula e se posicionava contra o fim da escala de trabalho 6×1. O conteúdo foi promovido no Facebook e no Instagram com recursos da Fiesp.

Até a primeira semana do segundo turno da eleição presidencial, os valores destinados ao vídeo correspondiam a 65% de todo o investimento identificado nas duas plataformas em conteúdos contrários à reeleição de Lula.

O principal questionamento envolve o uso de dinheiro de uma entidade empresarial para ampliar o alcance de uma manifestação com conteúdo político-eleitoral durante a disputa pela Presidência.

"Paulo Skaf não se encontra entre os legitimados a contratar impulsionamento eleitoral na disputa presidencial. A Fiesp, menos ainda", argumenta Emídio de Souza na representação encaminhada ao Ministério Público Eleitoral.

O deputado também ressalta que o direito de expressar opiniões políticas não significa autorização automática para financiar publicidade eleitoral nas plataformas digitais.

"A liberdade para falar não se confunde com a liberdade para comprar audiência eleitoral", acrescenta.

Emídio de Souza solicita a identificação dos valores usados para promover o vídeo publicado na conta de Paulo Skaf. Ele também quer saber se outros conteúdos políticos foram financiados com recursos da Fiesp.

A investigação pedida pelo parlamentar deverá esclarecer se a atuação da entidade ficou restrita ao vídeo já identificado ou se houve outros investimentos ligados à disputa presidencial.

A representação ainda levanta a possibilidade de que o impulsionamento tenha beneficiado a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na corrida pela Presidência da República.

O deputado pede que seja verificada a existência de vínculo, coordenação, autorização ou conhecimento prévio da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a divulgação do material financiado pela Fiesp.

Segundo a hipótese apresentada, a candidatura do senador poderia ter sido favorecida pelo alcance ampliado de conteúdos contrários a Lula. Até o momento, porém, não foi demonstrada a participação ou o conhecimento da campanha, pontos que dependem de apuração.

A controvérsia começou com a publicação de Skaf contra o fim da escala 6×1, modelo no qual o empregado trabalha seis dias e descansa um. O tema ganhou destaque nacional e foi analisado pelo Congresso nesta quarta-feira (14).

No vídeo, Skaf também fez críticas a Lula. A publicação recebeu investimento financeiro da Fiesp para alcançar um número maior de usuários nas redes sociais.

Os dados sobre o financiamento estavam disponíveis na Biblioteca de Anúncios da Meta, ferramenta que reúne informações sobre publicidade veiculada no Facebook e no Instagram.

A representação concentra-se na origem dos recursos e na possibilidade de que o impulsionamento tenha ultrapassado os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

Paulo Skaf é filiado ao Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A legenda faz parte do campo político que apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Emídio de Souza coordenou a campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista em 2026. Haddad foi derrotado no primeiro turno por Tarcísio de Freitas. Agora, a Procuradoria-Geral Eleitoral deverá analisar o pedido relacionado à atuação da Fiesp na campanha presidencial.

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