Haddad alerta para alarmismo contra o fim da escala 6×1
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Haddad alerta para alarmismo contra o fim da escala 6×1

Ex-ministro afirma que as empresas podem se adaptar à redução da jornada e destaca a medida como um possível legado econômico do governo Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) contestou nesta quinta-feira (15) as previsões de demissões e os alertas empresariais sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a resistência faz parte da reação de grupos econômicos a medidas de redistribuição de renda e melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Haddad afirmou que o mercado costuma reagir com alarmismo a mudanças nas relações de trabalho, mas defendeu que as empresas têm capacidade para se adaptar. O debate ganhou força após a aprovação da alteração da jornada pelo Congresso Nacional.

"Eu não acredito nisso por várias razões. Primeiro que as pessoas se adaptam, como aconteceu já várias vezes. Antigamente falavam que o salário mínimo ia gerar demissões. O aumento real do salário mínimo vai gerar demissões. […] Então, tem muito alarmismo, faz parte do jogo, o alarmismo da parte daqueles que se sentem prejudicados. Mas você está falando de uma minoria, num país com altíssima taxa de concentração de renda, que resiste a toda forma de redistribuição da riqueza e do bem-estar", declarou Haddad.

Ao questionar as projeções negativas, o ex-ministro comparou a discussão atual com a resistência enfrentada por políticas de valorização do salário mínimo. Para ele, argumentos semelhantes já foram utilizados contra iniciativas destinadas a ampliar direitos e melhorar a remuneração dos trabalhadores.

Haddad também relacionou a oposição à redução da jornada com a concentração de renda no Brasil. Na avaliação dele, os grupos que se consideram prejudicados representam uma parcela minoritária da sociedade, embora tenham influência no debate econômico.

Representantes empresariais alegam que a redução dos dias trabalhados poderá elevar custos operacionais e afetar empregos. Haddad, por outro lado, considera que a reorganização das atividades permitirá a adaptação das empresas, como ocorreu em outros momentos de ampliação dos direitos trabalhistas.

Além de rebater os alertas, Haddad defendeu que a redução da jornada seja reconhecida como uma das principais transformações econômicas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-ministro colocou a medida ao lado da reforma tributária, destacando que as duas mudanças tratam de temas que permaneceram por décadas sem avanços significativos no país.

"A reforma tributária, aguardada há 40 anos, e a redução da jornada vão ser os dois maiores legados na área econômica desse governo. […] A gente não toca no assunto da jornada desde 1988. É natural, ainda mais em tempos de inteligência artificial, vai vir um aumento de produtividade importante", afirmou.

Na avaliação de Haddad, as regras sobre o tempo de trabalho precisam acompanhar as transformações econômicas e tecnológicas ocorridas desde a promulgação da Constituição de 1988.

A Constituição estabeleceu o limite de 44 horas semanais. Desde então, o avanço tecnológico e as mudanças nos processos produtivos ampliaram o debate sobre a possibilidade de reduzir o tempo dedicado ao trabalho sem comprometer a atividade econômica.

Para Haddad, a atualização dessas regras representa uma etapa importante da agenda econômica do governo Lula, ao lado das mudanças no sistema tributário e no imposto de renda.

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