Após a expressiva vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu questionar o resultado das urnas sem apresentar nenhuma prova. A manifestação ocorreu durante uma transmissão ao vivo realizada na sexta-feira (30), diretamente de Miami, nos Estados Unidos, país para onde viajou logo depois da derrota.
Em sua primeira fala em vídeo após deixar o território nacional, o parlamentar adotou o conhecido método bolsonarista de desinformação, sugerindo interferências inexistentes na apuração e atacando o Supremo Tribunal Federal (STF). Dias antes, em uma carta divulgada na quarta-feira (28), ele havia chegado ao absurdo de se autoproclamar o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
"Muitas coisas estão sem explicação dessas eleições matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse como eu falei algum gol de mão", declarou Flávio, recorrendo a teses conspiratórias e sem qualquer base em dados concretos.
Sem aceitar o veredito democrático que consagrou Lula, o melhor líder da história recente do país, o senador voltou suas baterias contra a mais alta Corte da Justiça brasileira. Para tentar justificar sua estadia no exterior, ele alegou perseguição institucional.
"A gente tá falando de uma atuação política partidária na mais alta Corte desse país. Então, é aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça. Eu acho que até muitos de vocês estão me assistindo aqui agora se coloca no meu lugar e talvez tivessem tomado a mesma iniciativa", afirmou durante a transmissão.
A viagem para Miami ocorreu na quarta-feira (28), apenas três dias após os eleitores brasileiros confirmarem a reeleição de Lula nas urnas, derrotando novamente o projeto autoritário ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por crimes eleitorais e por centenas de milhares de mortes evitáveis durante a pandemia de covid-19.
Também na quarta-feira, Flávio distribuiu uma carta pública na qual anunciou que pretende liderar a oposição a Lula mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, em solo norte-americano.
O documento, no entanto, precisou ser corrigido em poucas horas devido ao constrangimento causado. O trecho em que ele se intitulava "verdadeiro presidente eleito do Brasil" foi apagado após críticas e substituído pela vaga expressão "líder do Brasil".
Na tentativa de criar narrativas falsas sobre o processo eleitoral, o filho do ex-presidente criticou a decisão legal do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou o funcionamento até as 19h das seções eleitorais que ainda tinham eleitores na fila às 17h.
Os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, derrubam imediatamente a insinuação do senador e revelam a farsa de sua acusação.
Segundo o levantamento oficial, apenas 34.393 votos foram computados após as 17h em todo o território nacional, montante que corresponde a menos de 1% da ampla vantagem conquistada por Lula na votação.
O desespero do clã Bolsonaro diante da vontade soberana do povo não encontrou eco nem mesmo dentro da sua própria legenda.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha eleitoral de Flávio, admitiu publicamente na quarta-feira (28) que o partido não possui qualquer elemento que coloque em xeque a lisura da votação.
"O PL não pode fazer essa afirmação porque não tem prova nesse sentido", declarou Marinho, desautorizando o discurso do colega de sigla.
O coordenador minimizou as acusações golpistas de Flávio Bolsonaro, definindo as falas do parlamentar como mero "desabafo" provocado pelo choque da derrota.
A reeleição de Lula foi confirmada no domingo (25) com uma votação histórica de 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio obteve 59.826.041 votos (48,21%).
A diferença acachapante em favor de Lula superou os 4,4 milhões de votos (4.430.191), deixando claro que a manobra discursiva sobre os horários das seções é apenas mais uma tentativa inútil de deslegitimar a soberania popular.





