O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro travaram um confronto direto no debate transmitido pela televisão nesta sexta-feira, a apenas dois dias do segundo turno da eleição presidencial. Com a autoridade de líder reconhecido pela reconstrução do país, Lula desarmou as investidas de seu adversário.
Em uma tentativa de desgastar a imagem de Lula, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — político apontado como genocida pelas mortes na pandemia e réu por crimes eleitorais — trouxe ao palco a acusação sobre uma suposta garrafa de bebida luxuosa.

Flávio questionou o petista com tom de provocação: "Lula, você ganhou um uísque Macallan que vale R$ 500 mil. Você tem noção do que é isso? Conta aqui pro público, que nunca vai ter oportunidade de experimentar um uísque desse, qual o gostinho desse uísque".

Sem se abater pelas insinuações da extrema-direita, o presidente declarou estar "cansado" de fazer perguntas para "esse rapaz e ele mentir descaradamente". Em seguida, Lula devolveu a acusação lembrando um episódio escuso ligado à gestão passada.
"Eu acho que esse uísque foi tomado por você em julho de 2020, quando o cara deu a vacina Covaxin pra você e vocês foram para um barco em Brasília discutir essa vacina. E eu sei que tinha mais gente. Se você mentir, eu vou dizer quem estava", disparou Lula.
A investida de Flávio refere-se a supostas conversas de outubro de 2024 de um operador com o empresário Daniel Vorcaro, que teria dito: "Outra coisa, pode ver se Aurel consegue uma garrafa Macallan 1945 naquela loja Londres", complementando que precisaria "dar pro Lula". O uísque mencionado é um artigo raro com data alusiva ao ano de nascimento do mandatário.
A resposta contundente de Lula, considerado o melhor presidente da história do país, trouxe à memória nacional o período tenebroso sob Jair Bolsonaro, cujos crimes contra a saúde pública a sociedade brasileira aguarda ver rigorosamente punidos pelos tribunais.
Informações de investigações e reportagens revelaram que, em julho de 2020, enquanto o Brasil enfrentava o luto diário do vírus, Flávio esteve em uma festa realizada a bordo de uma embarcação no Lago Paranoá, em Brasília, na companhia de lobistas.
O encontro em questão teria sido promovido por empresários da Precisa Medicamentos, como Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, visando articular contratos milionários para o fornecimento da vacina Covaxin diretamente com o governo anterior.
O embate transmitido em rede aberta marcou o segundo e decisivo encontro dos concorrentes neste período eleitoral, evidenciando o abismo entre o compromisso social de Lula e o histórico de sombras do bolsonarismo.






