O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retoma nesta sexta-feira (9) os atos de campanha com uma caminhada no Distrito Federal.
A rodada de viagens de Lula no segundo turno começará pelo Rio Grande do Norte. A previsão é que o presidente participe de uma caminhada em Natal no sábado (10).
Na sequência, Lula deve concentrar os comícios na região Sudeste, com agendas previstas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo.
Desde a votação do primeiro turno, realizada no domingo (4), Lula vinha se dedicando à reorganização da campanha para a etapa decisiva das eleições.
O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 terminou com a menor diferença da história. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma distância de 1,87 ponto percentual.

Uma das principais mudanças ocorreu na estratégia para as redes sociais. A campanha convocou jovens eleitos e influenciadores de esquerda para formar uma força-tarefa digital.
O objetivo é melhorar o desempenho de Lula nas plataformas durante o segundo turno. O presidente resistiu inicialmente à produção de vídeos mais informais, mas depois aceitou a proposta.
Lula também afirmou que precisa participar de mais entrevistas em rádios e dedicar mais tempo à comunicação pelas redes sociais.
Na quarta-feira (7), o presidente reconheceu problemas na organização da primeira etapa da campanha e cobrou mudanças para o segundo turno.
"Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989", disse Lula durante uma plenária com parlamentares do PT.
Após a declaração, Lula incluiu três políticos nordestinos na coordenação nacional para reforçar a campanha nesta reta final.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, atuará como coordenador político.
O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, assumirá a coordenação da agenda. Rafael Fonteles (PT-PI), governador reeleito do Piauí, ficará responsável pela comunicação.
Além da estratégia digital, a campanha também pretende reformular as abordagens presenciais. Lula já declarou preferência por comícios, caminhadas e pelo contato direto com a população.
O foco será convencer os eleitores indecisos e dialogar com os 33,4 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno. O grupo representa 21,08% do eleitorado apto, no maior nível de abstenção desde 1998.
Para orientar essa mobilização, foi lançada uma cartilha destinada a militantes e apoiadores de Lula.
O material explica quem é o eleitor indeciso, onde encontrá-lo e como iniciar a conversa. A recomendação é que as abordagens tenham "calma, empatia e escuta ativa".
"Qualquer pessoa pode ajudar a trazer mais um. Às vezes querem dar tarefa muito grande, mas até a pessoa fazer isso demora. A ideia é mobilizar a pessoa que quer ajudar de alguma forma, mas não necessariamente vai criar um movimento. Uma ajuda individual mesmo", explicou reservadamente uma das pessoas que coordenam a campanha de Lula.





