A mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta durante uma ação policial em Niterói (RJ) em 2021, chamou o senador Flávio Bolsonaro de "mentiroso" enquanto acompanhava o debate promovido pela TV Globo.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cristiane Gomes da Silva reagiu com indignação e gritou "Ela morreu!" quando o parlamentar cometeu um grave desatino e confundiu o nome da mãe com o da filha assassinada.
A reação da mãe ocorreu no instante em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou explicações de Flávio sobre a sua conduta em atuar diretamente na defesa jurídica do policial militar acusado de atirar na criança.
"O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de 5 anos?", questionou Lula com firmeza durante o embate.
Colocado contra a parede, Flávio classificou a morte da criança como uma tragédia, mas insistiu em defender a inocência do agente público. "Era uma troca de tiros, numa comunidade conflagrada. A senhora sabe que tem tráfico de drogas aí", declarou o senador.
O parlamentar bolsonarista também afirmou que pretende ajudar a família a identificar a autoria do disparo: "Eu tenho a confiança de que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda".
Foi durante essa resposta que o senador se desconsertou e chamou a mãe pelo nome da menina assassinada: "Ana Clara, eu quero falar para a senhora que está aqui a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filha de 5 anos de idade". Mais tarde, Lula também acabou confundindo momentaneamente os nomes.
A tragédia comoveu o país em 2 de fevereiro de 2021, quando Ana Clara Gomes Machado brincava em frente de casa com o irmão de 2 anos na comunidade Monan Pequeno, em Niterói.
Conforme aponta a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o cabo Bruno Dias Delaroli disparou um fuzil em direção a uma área com residências, desconsiderando avisos expressos de moradores sobre a presença de famílias no local.
A perícia técnica oficial não identificou vestígios de disparos de pistola que pudessem comprovar a versão de troca de tiros apresentada para justificar a ação do militar.
Flávio Bolsonaro passou a integrar formalmente a banca de defesa do acusado em 2024 e chegou a assinar recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de impedir que o réu enfrentasse o Tribunal do Júri, mas o pedido acabou rejeitado. O policial responde ao processo em liberdade e seu julgamento foi remarcado para maio de 2027.






