O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "aberração" a proposta de cortes de gastos públicos, chamada de "tesouraço", defendida pelo senador Flávio Bolsonaro, seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Lula alertou nesta quinta-feira (8) para os possíveis impactos sobre programas sociais e investimentos essenciais.
O presidente relacionou a proposta às reduções orçamentárias encontradas por sua equipe durante a transição de governo, no fim de 2022. Segundo Lula, a situação exigiu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) antes de sua posse, em janeiro de 2023, para garantir recursos às políticas públicas.
"E uma outra coisa que eu queria conversar com os nossos senadores, com os nossos parlamentares, e que tem levado a uma aberração do ponto de vista de proposta política, é a ideia do tesouraço", afirmou Lula.
Ao criticar a possibilidade de uma nova redução expressiva das despesas federais, Lula citou cortes em programas de saúde, prevenção de doenças e infraestrutura educacional.
De acordo com os números apresentados pelo presidente, o orçamento deixado pelo governo de Jair Bolsonaro previa redução de 59% nos recursos do Farmácia Popular e de 50,7% nas verbas destinadas ao Mais Médicos.
Lula também mencionou cortes de 45% no orçamento voltado à prevenção e ao controle do câncer e de 97% nos recursos destinados à infraestrutura escolar.
"Quando eu cheguei à presidência, em 2023, a gente teve que fazer uma PEC da transição antes de eu tomar posse", declarou.
Os percentuais foram apresentados pelo presidente como exemplos das dificuldades orçamentárias enfrentadas no início de seu terceiro mandato. Para Lula, essa experiência mostra a necessidade de avaliar quais políticas públicas seriam atingidas por propostas de ajuste fiscal.
No mesmo dia, integrantes da campanha petista ampliaram as críticas ao plano econômico atribuído a Flávio Bolsonaro. Aliados de Lula afirmaram nas redes sociais que cortes abrangentes poderiam colocar em risco iniciativas como o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia.
O Farmácia Popular garante acesso gratuito a medicamentos e insumos incluídos no programa federal. O Pé-de-Meia concede incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público que cumprem os critérios definidos pelo governo.
A campanha de Lula relacionou o debate sobre o equilíbrio das contas públicas à necessidade de preservar os recursos usados no financiamento dessas políticas sociais.
A discussão aumentou o contraste entre os dois candidatos na área econômica. Lula defende a manutenção dos investimentos e das despesas sociais, enquanto o chamado "tesouraço" de Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos sobre o tamanho e o destino dos cortes.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, após avançarem na primeira etapa da votação, realizada no domingo (4).
O financiamento dos programas sociais e as propostas de ajuste fiscal estão entre os principais temas desta fase da campanha, com Lula destacando a proteção das políticas públicas como prioridade.





