O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A decisão representa uma mudança em relação às declarações feitas por ele nos últimos meses.
Desde maio, Flávio demonstrava resistência à proposta. O senador classificou a discussão como inoportuna e eleitoreira, alertou para o risco de desemprego em massa e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de explorar o tema eleitoralmente.
A mudança foi anunciada na véspera da votação em primeiro turno no Senado, prevista para quarta-feira (14). Após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, Flávio reconheceu o apoio popular à redução da jornada.
"A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor", declarou o candidato.
A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso e impede a diminuição dos salários. O texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados, em 27 de maio, com o apoio da maioria dos parlamentares do PL.
Em 19 de maio, uma semana antes da aprovação na Câmara, Flávio adotou um discurso contrário à redução da jornada. Na ocasião, afirmou que a medida poderia provocar demissões, elevar preços e prejudicar os trabalhadores.
"Todo mundo é a favor que se trabalhe menos e se ganhe mais. Só que, infelizmente, não é a realidade estar nesse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, com uma grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições. Ele tenta vender uma solução fácil para a população que não vai resolver, vai gerar desemprego em massa, vai gerar aumento do custo de vida e vai prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar, ao contrário do que muita gente pensa", afirmou.
Naquele momento, o senador passou a defender uma proposta alternativa elaborada pelo coordenador de sua campanha presidencial, Rogério Marinho (PL-RN). O projeto prioriza horários flexíveis e remuneração proporcional à quantidade de horas trabalhadas.
Em nota divulgada naquele mês, Flávio argumentou que o modelo daria mais autonomia aos empregados.
"A remuneração por hora trabalhada traz liberdade, aumento da renda e proteção. Quem quer trabalhar mais ganha mais. Quem precisa de menos horas tem essa liberdade", afirmou.
Flávio também assinou a proposta de Marinho, formalizando o apoio à alternativa apresentada por sua campanha.
Mesmo após a aprovação da PEC na Câmara, o senador continuou evitando informar se votaria a favor ou contra o fim da escala 6×1.
Em 29 de agosto, durante uma agenda em São Paulo, Flávio voltou a apresentar a flexibilização dos horários como uma solução melhor do que a redução da jornada semanal.
"Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar", declarou.
No dia seguinte, em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, o senador manteve a defesa da liberdade de escolha, mas novamente não esclareceu como votaria na PEC.
"O que a gente está defendendo? É a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho", afirmou.
A resistência em revelar o voto ficou mais evidente em 1º de setembro, quando jornalistas o questionaram sobre a proposta antes da análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
"Primeiro vota a nossa proposta, depois vê o que faz. Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês", respondeu.
As críticas continuaram depois do primeiro turno da eleição presidencial, realizado em 4 de outubro.
Em 6 de outubro, durante a disputa do segundo turno contra Lula, Flávio acusou o presidente de tentar obter vantagem eleitoral com a redução da jornada.
"Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele. Eu tenho certeza de que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso", declarou.
Na mesma ocasião, o candidato voltou a afirmar que sua proposta de flexibilização seria mais vantajosa para os trabalhadores.
"Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária", afirmou.
No dia seguinte, 7 de outubro, Flávio manteve os ataques ao governo federal. Segundo o candidato, a redução da jornada não resolveria sozinha problemas como desemprego e endividamento das famílias.
"Ele está pensando no poder, não está pensando no trabalhador. Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento, para o trabalhador ficar com seu dinheiro", declarou, em referência a Lula.
O anúncio desta terça-feira foi a primeira manifestação explícita de Flávio em favor da aprovação da PEC. Até então, apesar das críticas recorrentes, ele não havia declarado formalmente que votaria contra o texto.
A mudança ocorre em um momento decisivo da campanha presidencial, quando Lula e Flávio disputam o apoio dos eleitores no segundo turno.
Ao anunciar o voto favorável, Flávio reconheceu que a maioria dos trabalhadores deseja o fim da escala 6×1. A declaração contrasta com os alertas feitos anteriormente pelo próprio senador sobre supostos efeitos negativos da proposta.
Apesar do novo posicionamento, o candidato não abandonou a proposta de Rogério Marinho. Ele continua defendendo horários flexíveis e passou a cobrar medidas de compensação do governo federal para empresas que possam ter custos adicionais.
Com a mudança, Flávio passou a apoiar uma medida que vinha criticando desde maio. Ainda permanecem diferenças entre o modelo defendido por sua campanha e o texto aprovado pela Câmara.





