A disputa digital entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novas frentes na primeira semana do segundo turno. Os candidatos disputam a Presidência no dia 25 de outubro.
O presidente passou a gravar vídeos em formato de selfie e reuniu jovens influenciadores e políticos eleitos para fortalecer sua presença nas redes sociais. Aliados de Flávio, por sua vez, organizam respostas às publicações de Lula e convocam apoiadores para divulgar conteúdos favoráveis ao candidato.
As duas candidaturas também contam com canais de WhatsApp. O "Exército do Lula" e a "Tropa do Flávio" são usados para distribuir conteúdos, organizar compartilhamentos e ampliar o alcance das publicações. Integrantes das equipes afirmam que os canais não fazem parte das campanhas oficiais.
A campanha de Lula montou uma sala em sua sede, em Brasília, para receber uma força-tarefa digital formada por influenciadores e jovens políticos eleitos. O grupo se reuniu com o presidente na quarta-feira (7) e deve permanecer na capital federal pelo menos até esta sexta-feira (9).
"Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital", afirmou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT.
Segundo Tatto, o resultado do primeiro turno impulsionou a mudança de estratégia. "Se tivéssemos ficado em primeiro lugar, a campanha teria continuado sendo feita do jeito que estava e não teríamos para onde crescer", disse.
A deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) também defende uma atuação mais intensa da esquerda nas plataformas digitais, ambiente em que, segundo ela, a direita ganhou força a partir das eleições de 2018.
"Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi nas redes", afirmou. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, ela disse que ainda há tempo para a esquerda ampliar sua presença e disputar espaço nas plataformas.
A deputada eleita Luna Zarattini (PT-SP) afirmou que a reunião marcou o início de uma atuação mais coordenada, com atenção também aos eleitores que não votaram no primeiro turno. "Enxergamos esse encontro como a primeira ação digital", disse.
O deputado eleito Jones Manoel (PSOL-PE) disse que parlamentares de esquerda discutiram formas de ampliar a votação de Lula entre pessoas de baixa renda, mulheres e jovens.
O grupo também pretende dar mais destaque a propostas como tarifa zero no transporte público, redução do custo de vida e geração de empregos.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), eleita com mais de 1,5 milhão de votos, tem mobilizado seus mais de 5,4 milhões de seguidores no Instagram para integrar grupos e comunidades digitais de apoio a Lula.

A mobilização busca fortalecer a articulação dos apoiadores e ampliar a campanha eleitoral nas plataformas digitais durante o segundo turno.
O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) comanda o canal de WhatsApp "Exército do Lula". Criado em abril, o espaço orienta apoiadores, estabelece metas de compartilhamento e amplia a circulação dos conteúdos da campanha.
Em reação ao canal ligado aos apoiadores de Lula, o PL criou a "Tropa do Flávio". O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) divulgou a iniciativa e convocou seguidores a participar.
Gayer acusou o PT e Lula de criarem uma "milícia digital" para espalhar informações falsas sobre Flávio Bolsonaro. "É aqui que nós vamos contrapor esse pessoal", afirmou.
"Vamos encher esse canal, vamos superar o canal do Lula na nossa missão. A gente não pode esfriar a nossa militância", acrescentou Gayer.
Nikolas Ferreira (PL), eleito com mais de 3 milhões de votos e dono de mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, publicou na quinta-feira (8) um vídeo contestando as declarações de Lula em uma de suas novas publicações.
Flávio Bolsonaro também atacou a mobilização petista e acusou o partido de disseminar informações falsas. "Vocês estão vendo aí a grande facção digital que o PT criou para inventar um monte de fake news, espalhar essas fake news por aí. É uma atrás da outra", afirmou em uma transmissão ao vivo, ao pedir que apoiadores entrem em sua comunidade no WhatsApp.
O empresário Pablo Marçal, apoiador de Flávio desde setembro, também divulgou o canal e convocou seguidores. Marçal tentou disputar a Presidência pelo PRTB, mas teve a candidatura barrada pelo TSE.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP) afirmou que prepara um vídeo para rebater o lema petista "Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão" e questionar o histórico dos governos do PT na segurança pública.
Além de buscar engajamento, a campanha de Flávio monitora informações falsas sobre o candidato. Entre os casos estão a alegação de que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e um vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial.
Nesse vídeo adulterado, Flávio supostamente afirma que cortaria o 13º salário e as aposentadorias. A gravação foi manipulada e passou a integrar os conteúdos acompanhados pela campanha durante a disputa digital.






